segunda-feira, 26 de maio de 2008

Já falou com o seu vizinho nos últimos dias?

A pergunta parece um pouco provocatória, parva até para quem sai de casa a correr atrasado para o emprego, para levar os miúdos para a escola, ou para um qualquer compromisso que se tinha esquecido.
Também pode parecer idiota para quem todos os dias perde horas nas filas de trânsito, nos transportes ou até mesmo no trabalho, porque há aquela tarefa urgente que há três meses atrás alguém se esqueceu de lhe delegar.
A vida na Suburbia tem estas idiossincrasias onde cada dia menos atenção se presta aos que nos rodeiam, a começar pelos próprios vizinhos, que em particular em grandes condomínios, são estranhos com que nos cruzamos no elevador, nas escadas ou o na reunião de condomínio uma vez por ano.
Pois atentem na noticia bizarra que surgiu na edição online do Jornal Sol de 16/Maio/2008, e que transcrevo.

Mulher morreu há 35 anos e ninguém deu pela sua falta

Os governos mudaram. Uma guerra começou e chegou ao fim. Os vizinhos tiveram filhos e depois netos. Mas Hedviga Golik nunca deixou o seu pequeno apartamento em Zagreb, Croácia, até que o seu corpo já mumificado foi descoberto 35 anos após a sua morte.

A polícia afirmou que ninguém a tinha dado como desaparecida e que o corpo continua por reclamar.

Os moradores do prédio de Hedviga, na baixa da capital croata, decidiram entrar em sua casa por considerarem que o apartamento lhes devia pertencer a eles e não a Hedviga. Quando entraram viram o corpo deitado na cama. Assustados chamaram a polícia.

Os peritos calculam que a mulher deve ter morrido em 1973, altura que coincide com a última vez que foi vista por uma das vizinhas. Davor Strinovic, um dos criminalistas, afirmou que a causa da morte parece ter sido natural, mas «é quase impossível afirmá-lo com certeza» após tanto tempo.

Alguns dos vizinhos disseram que Hedviga tinha falado em ir para o estrangeiro, o que parece explicar a razão pela qual ninguém deu pela sua falta.

Segundo os criminalistas, o mau cheiro, característico dos cadáveres, foi dissipado pelas janelas que permaneceram abertas durante este tempo. Não se sabe ainda ao certo se alguém ou quem pagava as contas de Hedviga e a quem pertencia, realmente, a casa. Em 1973, os apartamentos pertenciam ao Estado.

Os vizinhos querem agora que o apartamento seja partilhado pelos restantes inquilinos.

A descoberta do cadáver de 35 anos trouxe o debate para os media: «Como é possível que uma mulher tenha morrido há tanto tempo sem que ninguém tivesse dado pela sua falta?». Uma jornalista local afirmou que era a prova da crescente alienação das pessoas.

«Meus queridos vizinhos! Por favor continuem a ser curiosos e às vezes incómodos, como têm sido até agora»,escreveu a jornalista Merita Arslani no jornal Jutarnji.

Em Portugal, ainda temos muito o culto da bisbilhotice da vida alheia, por isso, ainda é pouco provável que episódios destes aconteçam, mas isto demonstra o grau de alienação da vida em sociedade para que caminhamos, se algo não for feito por cada um de nós para o evitar.
Não é preciso bisbilhotar, querer saber tudo sobre os vizinhos, os que nos rodeiam, mas tentemos conhecer um pouco melhor as pessoas que convivem connosco e que partilham um pouco das nossas vidas. Quem sabe isso não ajuda a tornar a convivência um pouco menos penosa e consigamos ultrapassar aqueles conflitos que habitualmente surgem entre vizinhos.
Com o envelhecimento da população portuguesa e por arrasto, da Suburbia, há cada vez mais pessoas sós, abandonadas, cuja ligação com a realidade passa apenas por uma conversa de ocasião com um vizinho, pois até a família se esqueceu dela.

Não há nada mais triste e até desumano do que um ser humano abandonado, só e esquecido no meio de uma multidão. Não se esqueça disso, pois um dia pode ser você na mesma situação!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico

O Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico é mais um manifesto contra o novo acordo ortográfico, desta vez tem como primeiros signatários algumas personalidades com algum peso e provas dadas no estudo e evolução da Língua Portuguesa, que lhe confere alguma seriedade intelectual, concordando-se ou não com o seu conteúdo.

Tal como no post anterior sobre este assunto, este serve apenas como divulgação também deste manifesto, apresentado de uma forma mais sustentada e séria que o anterior. Concordo com a maioria do seu conteúdo, pelo que também sou signatário.

No entanto, continuo a afirmar que há falta de informação sobre este acordo e que não sou contra um acordo ortográfico. Com os dados que tenho considero que este acordo não será o que melhor serve os interesses dos diversos povos falantes de Português.

Petição Contra o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Petição Contra o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Não sou a favor nem contra, porque sinceramente ainda não consegui que alguém desapaixonadamente me explicasse quais vão ser as alterações com impacto no meu dia-a-dia e no dos meus descendentes. Até porque actualmente, já vivo embrulhado num acordo ortográfico luso-brasileiro por razões matrimoniais!!

Mas aqui fica para quem é obtusamente contra e acha que vamos perder a Soberania Nacional por assinarmos este acordo.

domingo, 4 de maio de 2008

Milionário em grande estilo

Este concorrente do "Quem Quer Ser Milionário" da versão americana dá um belo exemplo de auto-confiança, na hora da última pergunta, que vale 1.000.000 USD.

Duvido sinceramente que houvessem muitos com o sentido de humor, numa hora de tanta pressão, para fazer o que ele fez, mas está lindo!!! A minha fonte foi aqui mas há várias versões no YouTube para todos os gostos!


sábado, 3 de maio de 2008

Não sejas chato no Messenger

Aqui está um manual simples de seguir para quem não quer ser chato e inconveniente na ferramenta de comunicação em maior crescimento depois do telemovel, o Instant Messaging.

O post original não está ainda de acordo com Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 2008, e foi escrito a pensar nos jovens brasileiros moderninhos, viciados no Messenger.

Mas serve com bom exemplo para o que NÃO deve fazer no MSN! Divirta-se!!


Quantas pessoas bloqueadas você tem no seu messenger? Quantas delas você bloqueou por serem mega chatas e inconvenientes? Será que muita gente te bloqueou?

Calma, não precisa enlouquecer pensando nessas perguntas sem resposta, nem entrar naqueles sites malucos que trocam teu nick. A gente vai te ajudar a ser a pessoa mais bacana da lista dos seus amigos, todo mundo vai querer te adicionar e bater um papinho. Basta NÃO fazer algumas coisinhas.

Chamar atenção

Tem coisa mais chata do que sua tela tremendo sem parar? Daí você abre a janela do infeliz que chamou sua atenção e ele não diz nada de importante, só queria saber se você ainda estava lá. Aaaaaaah, que vontade de bater na pessoa, né? Chamar atenção só em momentos de extrema necessidade, tipo quando seu time fez um gol no time da pessoa, ai vale!

Entrar várias vezes

De repente você olha pro computador e tem a mesma janela milhares de vezes. O mané não tem o que fazer e ficou entrando e saindo sem parar, só pra todo mundo notar que ele chegou. Isso é tipo chegar numa festa e gritar “olha pra miiiim”. Não dá, né?

Emoticon

Pra começar, emoticon é coisa de menina. E outra, você não quer fazer uma frase cheia de carinhas e coisinhas frescas, quer? Nomear os emoticons com aspas, números e símbolos é a melhor coisa a fazer. E não é qualquer imagem que merece ser salva, se for aquela mina gostosa, beleza, mas um baratinho amarelo com cara de bobo...não dá pra perder tempo!

Papo de elevador

- Oi.
- Oi.
- Tudo bem?
- Tudo e você?
- Também.

E ai rola aquela palha tipo de filme de faroeste, saca?
Se não tem assunto, nem se dá o trabalho de abrir a janela da pessoa. Chatão, né?

Convite pra webcam

Você quer, porque quer ligar a câmera pra mina que você ta pegando. Daí fica mandando um monte de convites, que ela não aceita. Ao invés de pensar “pode ser melhor parar”, o que você faz? Manda mais convites. A hora que ela te mandar um convite pro inferno, não reclama. E se a mãe dela estivesse ao lado? Quer a sogrona te vendo também, é?

Falar besteira

A pessoa chega no messenger e já manda a mensagem:

- Noooooossa, você tava beeeem louco ontem, hein!

A mensagem chega no seu computador bem no momento que sua namorada, que achou que você estivesse doente, ta dando uma olhadinha nos e-mails. Resultado: fim da amizade. E do namoro. Antes de mandar mensagens desse tipo, ou sobre coisas que não devem ser comentadas, pergunta de a barra tá limpa, né?

Se você seguir todas as nossas dicas e ainda assim for bloqueado por todo mundo, sem querer te desanimar, mas o problema dessa vez, é você. Mas dá pra consertar, tenha esperança! ;)

in "O que Rola - iG Jovem"

quinta-feira, 1 de maio de 2008

E agora, um bocadinho de publicidade

Para quem tem andado aqui pelo "Vista do Subúrbio", reparou que aqui o canto anda cheio de widgets e links para uma série de serviços de publicitação/catalogação do blog.
Uma vez que os comentários tem sido tão pouco frequentes, apesar já ter ultrapassado os 1500 pageviews (uauuuuuuuuu, melhor que isto só a CNN!!), decidi fazer propaganda da "banha da cobra" que vou vendendo neste pequeno jornal com a minha visão sobre a vida nos subúrbios de Lisboa.

Assim, o "Vista do Subúrbio" já está cadastrado nos seguintes sites de pesquisa/catalogo de blogues:

Technorati
SAPO Links e página pessoal no Sapo Links
BlogBlogs: O maior site de indexação, ranking e busca de blogs do Brasil
Blog.com.pt - Comunidade de bloggers portugueses
BlogCatalog - Blog Directory, Blogs, Blog Sites
My del.icio.us

Além disso, para quem ainda não conhecia, houve uma primeira tentativa de me perder no universo do blogging, a que comecei por chamar "Olhar para o Subúrbio", ainda alojado na plataforma do SAPO e que agora foi ressuscitado com a migração para a nova plataforma do SAPO.
Curiosamente (ou talvez não), parece que as minhas prosas mais antigas estão a ter mais visitas do que as prosas do Vista... Será que isto tem alguma conotação retorcida com a polémica sobre qual dos 2 sistemas operativos da Microsoft é o melhor (XP ou Vista)?

Tudo isto está a ser feito para que mais e mais arrisquem a ler, comentar, criticar as minhas prosas ou glosas (por que nem tudo é obviamente original) e deixem também as vossas impressões sobre o que é viver na Suburbia.

Perdoem-me o intervalo para publicidade. Os assuntos sérios seguem dentro de momentos! Obrigado!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Elogio do Amor (Miguel Esteves Cardoso)

Eu sei que este texto não cola muito bem com o contexto do resto do blogue, mas é interessante, pois demonstra como a sociedade mais urbana, mais calculista, começa a perder determinados valores que antes eram os pilares de uma vida. Pessoalmente, apesar de considerar o Miguel Esteves Cardoso uma mente louca, tem rasgos de genialidade e sobretudo retrata bem o ser e estar no Portugal Urbano dos dias de hoje, ou seja, a Suburbia.

Este texto saiu no Expresso em 2005, não consegui precisar a data nem obter a fonte original, mas podem encontra-lo aqui, aqui, ou aqui, por exemplo.

Quero fazer O elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de
verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar
sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão Ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é
mais barato, por causa DA Casa. Por causa DA cama. Por causa das cuecas e
das calças e das contas DA lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de
antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em 'diálogo'. O amor
passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa
variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser
desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O
resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam
'praticamente' apaixonadas.

Eu quero fazer O elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do
amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas,
farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi
namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como OS de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia,
são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, Malta do 'tá tudo bem,
tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides,
borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já
ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, O
desequilíbrio, O medo, O custo, O amor, a doença que é como um cancro a
comer-nos O coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não
é para ser O alívio, O repouso, O intervalo, a pancadinha nas costas, a
pausa que refresca, O pronto-socorro DA tortuosa estrada DA vida, O nosso
'dá lá um jeitinho sentimental'. Odeio esta mania contemporânea por sopas e
descanso. Odeio OS novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se
vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a
loja. Foi trespassada ao pessoal DA pantufa e DA serenidade. Amor é amor. É
essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é
para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.
Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para
nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de
inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes Mata O amor. A
'vidinha' é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um
fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem
tanto a ver Com a vida de cada um como O clima. O amor não se percebe. Não
dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa
alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe,
não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que
a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e
minta e sonhe O que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade
pode matar, O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num
momento, num olhar, O coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por
muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração
guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida,
quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso
amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se
ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver
sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode
ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso, in Expresso



segunda-feira, 21 de abril de 2008

Mestrado em Gestão de Campos de Golfe

Aí está o futuro da Educação em Portugal, ou devemos dizer o futuro da education in West Coast of Europe, made by Tugas, retirado do blogue Abnoxio


Acho que nem merece muitos comentários, apesar da profissão ser tão nobre quanto qualquer outra! Apenas demonstra o tipo de subserviência que cada vez mais temos perante tudo o que é importado, sejam produtos, sejam ideias, sejam pessoas.

Mas esta Suburbia gerida por mestres é com certeza mais bem tratada do que aquela em que vivo actualmente!

sábado, 19 de abril de 2008

Cuidado, esta gente vota (ou a estupidez que nem sempre tem limites)

Isto é obviamente uma caricatura do que é o ser humano, mas não deixa de nos fazer pensar o nível de estupidez que há por essa Suburbia. Poderiam até chamar-se "Episódios da Vida Moderna" ou mas o título original é "Cuidado, esta gente vota!". No entanto, desconfio que haja muitos de nós que já ouviram, viram ou passaram por situações bizarramente semelhantes:

Um amigo meu comprou um frigorífico novo e para se livrar do velho, colocou-o em frente do prédio, no passeio, com o aviso:
"Grátis e a funcionar. Se quiser, pode levar".
O frigorífico ficou três dias no passeio sem receber um olhar dos passantes. Ele chegou à conclusão que as pessoas não acreditavam na oferta. Parecia bom de mais para ser verdade e mudou o aviso: "Frigorífico à venda por 50,00 €."
No dia seguinte, tinha sido roubado!

Ao visitar uma casa para alugar, o meu irmão perguntou à agente imobiliária para que lado era o Norte, porque não queria que o sol o acordasse todas as manhãs.. A agente perguntou: "O sol nasce no Norte?" Quando o meu irmão lhe explicou que o sol nasce a Nascente (aliás, daí o nome e que há muito tempoque isso acontece!) ela disse: "Eu não estou actualizada a respeito destes
assuntos".

Trabalhei uns anos num centro de atendimento a clientes em Ponta Delgada - Açores. Um dia, recebi um telefonema de um sujeito que perguntou em que horário o centro de atendimento estava aberto.
Eu respondi: "O número que o senhor discou está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana."
Ele então perguntou: "Pelo horário de Lisboa ou pelo horário de Ponta Delgada?"
Para acabar logo com o assunto, respondi: "Horário do Brasil."

Um colega e eu estávamos a almoçar no self-service da empresa, quando ouvimos uma das assistentes administrativas falar a respeito das queimaduras de sol que ela tinha, por ter ido de carro para o litoral. Estava num descapotável, por isso, "não pensou que ficasse queimada, pois o carro estava em movimento."

A minha cunhada tem uma ferramenta salva-vidas no carro, para cortar o cinto de segurança, se ela ficar presa nele. Ela guarda a ferramenta no porta-bagagens!

Uns amigos e eu fomos comprar cerveja para uma festa e notámos que as grades tinham desconto de 10%. Como era uma festa grande, comprámos 2 grades. O caixa multiplicou 10% por 2 e fez-nos um desconto de 20%.

Saí com um amigo e vimos uma mulher com uma argola no nariz, ligada a um brinco, por meio de uma corrente. O meu amigo disse: "Será que a corrente não dá um puxão cada vez que ela vira a cabeça?" Expliquei-lhe que o nariz e a orelha de uma pessoa permanecem à mesma distância, independentemente da pessoa virar a cabeça ou não.

Ao chegar de avião, as minhas malas nunca mais apareciam na área de recolha da bagagem. Fui então ao sector da bagagem extraviada e disse à mulher que as minhas malas não tinham aparecido. Ela sorriu e disse-me para não me preocupar, porque ela era uma profissional treinada e eu estava em boas mãos."Agora diga-me, perguntou ela... o seu avião já chegou?"


À espera de ser atendido numa pizzaria observei um homem a pedir uma pizza para levar. Ele estava sozinho e o empregado perguntou se ele preferia que a pizza fosse cortada em 4 pedaços ou em 6. Ele pensou algum tempo, antes de responder: "Corte em 4 pedaços; acho que não estou com fome suficiente para comer 6 pedaços"


Agora já sabem QUEM elege os políticos!... Apesar da política estar totalmente desacreditada, isso deriva de uma sociedade completamente amorfa, em que apenas a boçalidade e estupidez são notabilizadas. Viva a sua vida de forma mais inteligente e participativa!

sábado, 12 de abril de 2008

"Poema Enjoadinho" - Vinicius de Moraes

"Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaça
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:

Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!"

De Vinicius de Moraes


Como são belas as palavras simples, que qualquer um de nós poderia ter dito ou pensado, mas que apenas houve um iluminado que as soube pôr num simples poema. Vinicius de Moraes, como poeta brasileiro e urbano que era, soube bem retratar o que são as dúvidas e anseios de quem quer ter filhos, mas sempre tem dúvidas sobre esta decisão.

Quantos são os pais ou futuros pais que não sentiram já dentro de si esta dúvida, e depois dos filhos nascidos e de os terem feito passar por tormentos e torturas, continuam a dizer "Que coisa louca, que coisa linda que os filhos são!"?

No ambiente suburbano talvez isso seja cada vez mais verdade, pois os perigos e desafios que são colocados às gerações mais novas, fazem-nos pensar muito sobre que tipo de educação e que valores devemos incutir nos nossos filhos, para pelo menos tentar que eles sobrevivam quase incólumes à selva urbana. No entanto, eles acabam por ser sempre uma das razões porque ainda cremos que a Suburbia pode vir a ser melhor, pela sua inocência, pela sua visão quase sempre diferente do mundo. Eu com o meu modestíssimo contributo, tentarei incutir valores de respeito pelos outros, mas sabendo também exigir os seus direitos, ou seja, que sejam cidadãos da Suburbia que contribuam para ela ser um pouco melhor!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Wonderful Tonight



It's late in the evening; she's wondering what clothes to wear.
She puts on her make-up and brushes her long blonde hair.
And then she asks me, "Do I look all right?"
And I say, "Yes, you look wonderful tonight."

We go to a party and everyone turns to see
This beautiful lady that's walking around with me.
And then she asks me, "Do you feel all right?"
And I say, "Yes, I feel wonderful tonight."

I feel wonderful because I see
The love light in your eyes.
And the wonder of it all
Is that you just don't realize how much I love you.

It's time to go home now and I've got an aching head,
So I give her the car keys and she helps me to bed.
And then I tell her, as I turn out the light,
I say, "My darling, you were wonderful tonight.
Oh my darling, you were wonderful tonight."

"Wonderful Tonight", by Eric Clapton

Já ouvi opiniões sobre a tristeza desta letra, de como seria a prova de uma relação destroçada, mas não consigo deixar de me emocionar com esta canção, pois apesar de muito simples, representa algo que cada dia se esquece mais na Suburbia: sem o amor/amizade dos que nos são mais próximos, nada faz sentido.
Talvez por isso cada vez mais encontramos pessoas tristes, sem rumo, até ressabiadas com a vida, porque perderam um amor ou nunca foram amadas. Este amor não será apenas paixão, mas também amizade, querer bem a quem está próximo e que contribui todos os dias para que a vida que levamos seja um pouco menos penosa.

Nos dias loucos das sociedades actuais, o valor que é dado à individualidade é muito superior ao que é dado ao sentimento de bem querer pelos outros. Talvez por isso cada vez mais sejam incompreendidos os sentimentos de amizade desprendida, de vontade de ajudar o outro, de ter prazer na companhia de outro, sem que isso queira dizer que se quer tirar algum proveito adicional que não seja o puro prazer de ter essas pessoas ali ao nosso lado, nem que seja a fazer a coisa mais idiota que possamos pensar.

A felicidade também passa por esses momentos banais, mas que devemos relembrá-los com carinho, pois caso contrário, a vida é um conjunto enorme de futilidades, e apesar de querer acreditar na vida para além de nós, são estas memórias que posso e quero guardar.

Quando leio esta letra e ouço esta música, ela aplica-se muito bem a mim e ao meu amor, que sempre me deixou orgulhoso de ter o amor dela e de a amar. Sem ela a minha vida não faria qualquer sentido, pois é o seu amor que me mantém a tona de água, aguentando o inferno da Suburbia nas suas vertentes mais escuras e assustadoras.

Porém a vida é feita da interacção com mais do que apenas 2 pessoas, e o meu sonho é que as pessoas que me rodeiam e que sempre tento ver o seu lado melhor, um dia possam retribuir com a sua amizade desprendida, e formar um grupo de pessoas que contribuam para uma Suburbia melhor, sejam eles família, amigos, colegas ou até apenas conhecidos.

Sou ingenuamente crente na ideia que a bondade produz bondade, a amizade retribui-se com amizade, e apesar de por vezes não o conseguir demonstrar, todos os que me rodeiam são importantes para aprender a viver uma vida melhor, a ser melhor como pessoa.

Isto parecem reflexões meramente egoístas, mas acredito que quem me conhece, se as ler, compreenderá o alcance do voo do meu pensamento.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A Maior Empresa do Mundo

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar se ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de econtrar um oásis
no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

A Suburbia trata-nos por vezes de forma tão louca e fria que nos faz esquecer o essencial. Este poema de Fernando Pessoa faz pensar naquilo que é essencial, a força de viver, a vontade de sobreviver, mesmo num ambiente cheio de dificuldades, que muitas vezes não sabemos como ultrapassar. O objectivo final de todos é atingir a felicidade, mesmo que a espaços e por vezes salpicada de muitas dificuldades.

Este post é dedicado a todos os que acreditam que o seu espírito positivo pode ajudar a mudar a vida dos que os rodeiam. São esses espíritos que fazem a Suburbia um lugar menos difícil de viver, e pessoalmente ainda me fazem acreditar na beleza e riqueza do ser humano, por vezes tão espezinhada na sociedade em que vivemos.

Aos que tenho tido o prazer de conhecer pessoalmente, o meu reconhecido obrigado. Aos restantes, não percam a esperança de mudar o Mundo para melhor.

Se cada um trabalhar afincadamente para a maior empresa do mundo, talvez um dia, haja uma "fusão amigável" e consigamos evoluir para um ser superior, mais próximo do que convencionámos chamar Deus. Que esse seja o nosso legado para os futuros Suburbanos!

terça-feira, 25 de março de 2008

A vã arte de dizer nada (Parte II)

Não obstante, a determinação clara de objectivos desafia a capacidade de equalização do sistema de formação de quadros que corresponde às necessidades. A certificação de metodologias que nos auxiliam a lidar com a constante divulgação das informações causa impacto indirecto na reavaliação dos métodos utilizados na avaliação de resultados. Desta maneira, o início da actividade geral de formação de atitudes possibilita uma melhor visão global das condições inegavelmente apropriadas. As experiências acumuladas demonstram que a mobilidade dos capitais internacionais aponta para a melhoria do remanejamento dos quadros funcionais. O incentivo ao avanço tecnológico, assim como o surgimento do comércio virtual pode nos levar a considerar a reestruturação das formas de ação.

Todavia, a necessidade de renovação processual nos obriga à análise das directrizes de desenvolvimento para o futuro. Por conseguinte, a expansão dos mercados mundiais acarreta um processo de reformulação e modernização do processo de comunicação como um todo. O que temos que ter sempre em mente é que o desenvolvimento contínuo de distintas formas de actuação é uma das consequências das diversas correntes de pensamento. Caros amigos, a valorização de factores subjectivos cumpre um papel essencial na formulação do fluxo de informações.

É claro que o julgamento imparcial das eventualidades ainda não demonstrou convincentemente que vai participar na mudança dos procedimentos normalmente adoptados.

Percebeu alguma coisa? Mas já ouviram muitas destas frases em apresentações corporativas ou políticas muito pomposas, não foi? Pois, é tristemente verdade, mas os 3 paragrafos anteriores foram resultado não da minha sublime prosa, mas de um gerador automático de frases!!

Se quiserem podem experimentar em Gerador de Lero-Lero ou em Embromation - Como falar sem se comprometer com nada. Se estão com falta de imaginação, usem e abusem, mas depois não se admirem se ninguém entender nada!

segunda-feira, 24 de março de 2008

Há dias assim

A Páscoa passou por cá, deixando umas gripes, frio, doces, vontade de dias mais quentes e alegres, vontade de ser espiritualmente mais forte, e o que mais se quiserem lembrar para compor este ramalhete.

Mas a pobreza quer de espírito, quer monetária, mantêm-se inalteradas e até talvez aumentadas. Nestas últimas semanas, tenho-me cruzado na Linha Vermelha do Metro com uma personagem que me faz pensar 2 vezes sobre aquilo que tenho e que muitas vezes pouco valor dou.

Por volta das 19h, lá vem um mendigo maltrapilho sempre em direcção à Gare do Oriente, com os seus sapatos de cada modelo, 5 ou 6 peças de roupa vestidas de forma a tentar cobrir o frio, e um ar velho e desiludido. Senta-se sempre no mesmo banco, como se estivesse cativo, carruagem do meio, junto à porta do meio, no sentido contrário da composição e sempre virado para o corredor, como se ao mesmo tempo tivesse consciência da repulsa que causa em todos os que pensam em se sentar perto dele.

Há no entanto algo de curioso neste mendigo: passa a viagem toda a ler um qualquer jornal gratuito que tenha conseguido por aí. Como acredito que a vida não lhe tenha sido sempre madrasta, será que um dia já teve um emprego estável e terá tido uma boa educação? Será que já foi um qualquer integrante de uma família de classe média que se viu metido numa espiral de desespero por algum motivo que a todos escapa? Ou terá sido abandonado, como tantos velhos o são neste País, após os mais próximos lhe terem sugado o dinheiro todo?
Não sei, e duvido que alguma vez venha a saber, mas apesar da sujidade, das roupas velhas e rasgadas, noto que houve ali em tempos alguma dignidade. Qual terá sido o dia ou dias que lhe ditaram esta sorte madrasta?

Ele com certeza terá alguma dificuldade em sentir-se bem com a Páscoa, o Natal, ou qualquer outra festa religiosa, e terá provavelmente alguma dificuldade em acreditar em Deus ou qualquer outra entidade em que acreditamos que nos possa dar uma vida melhor. Mas quero acreditar que um dia já foi feliz! Há dias assim, de felicidade, e todos os merecemos, pois caso contrário a vida deixa de ter qualquer sentido.

Que a Suburbia com a sua indiferença o proteja, e lhe mantenha a pouca dignidade que lhe resta, nem que seja para morrer em paz. Enquanto isso, lá estará ele na Linha Vermelha do Metro, para nos recordar de onde ainda podemos chegar. Afortunados aqueles que sabem como ajudar honestamente pessoas que atingem este grau de pobreza, tornando-lhes a vida menos difícil. Não faço parte desse grupo, mas respeito quem tem essa coragem.

domingo, 23 de março de 2008

A vã arte de dizer nada

Hoje apetece-me a divagar sobre nada, pois nada me move neste momento.

Sei que isto é perfeitamente idiota, mas porque é que tudo na vida tem que ter uma sã motivação?
Escrever apenas porque me apetece, mas não para mudar o mundo, apenas para por neste mundo digital mais um estado de alma, suburbano, sem rumos, mas sempre querendo muito mais!

A incerteza sobre o futuro, faz-me pensar que não sei para onde vamos, que Suburbia vamos deixar aos nossos filhos, netos e demais pessoas que nos rodeiam. Mas, caramba, a não ser que haja um cataclismo cósmico, o futuro continuará, por conceito, cheio de incertezas mas também cheio de esperanças, que também é uma característica muito humana!

Não espero ser tomado muito a sério... Aliás, a ver pela quantidade de visitas, ninguém me leva nada a sério e ainda bem! Mas quero que os que lêem as minhas prosas pensem um pouco, pensem no que a vida pode ainda trazer de prazenteiro, de bom, de esperançoso sobre o que o futuro nos reserva.

Este post nada diz, mas quem sou eu para me colocar como um pensador capaz de mudar o Mundo? Não, apenas faço mudar o meu mundo, mudar o que me rodeia, e esperar que com a minha forma de estar possa influenciar positivamente na busca de um Mundo melhor.

Não sou pretensioso ao ponto de sentir que vou mudar mentalidades, mas quero que respeitem a minha diferença, assim como sempre tentei respeitar as diferenças dos outros, pelo menos dos que me estão mais próximos. Em casa, na família, no trabalho, na rua, tento ser apenas eu.
Não são muitos que conhecem para lá da mascara de suburbano, talvez como mecanismo de defesa contra os que podem usar a minha forma de ver o mundo como uma arma contra mim e contra os que amo.

Os que me deram o privilégio de estarem mais próximos, deram-me também o prazer de os conhecer um pouco melhor, de conhecer os seus anseios, alegrias, tristezas, forças e fraquezas, até a sua mesquinhez ou cinismo. A esses, tenho tendência de quase tudo perdoar, pois não se nega estender a mão a quem é suficientemente sincero para se expor aos outros, mesmo que seja apenas um pouco. Por respeitar tanto esse sentimento de abertura, é que considero que tudo o que me é dito faz parte de um elo de confiança que tudo devo fazer para não ser quebrado.

Por isso, a todos os que conheço e conheci, obrigado por enriquecerem a minha forma de ver o mundo. Sem isso, a Suburbia seria apenas uma definição milenar da arte de dizer nada, pois seria vazia, sem sentido. A Suburbia são os locais, os ambientes, mas são sobretudo as pessoas.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Para quem pensa que reclamar sempre compensa!

Hoje li uma notícia da Lusa que cito abaixo, que apesar de ser ostensivamente capciosa e que mostra apenas o superficial e o fait-divers à volta do acontecimento, pelo menos tem a vantagem de relembrar que nem todos os que reclamam tem razão.

"Porto, 14 Jan (Lusa) - Uma mulher que em 2005 pediu o Livro de Reclamações num restaurante de Matosinhos aguarda ainda o resultado da queixa, mas já foi condenada em tribunal por "pôr em causa o prestígio, crédito e confiança" do estabelecimento.

Fonte conhecedora do processo disse hoje que o Tribunal de Matosinhos condenou a mulher a indemnizar a dona do restaurante em 300 euros e a pagar uma multa de 15 euros por dia, para remir uma pena de 75 dias de prisão.

De acordo com a sentença do caso, a arguida foi condenada porque "disse repetidamente, em tom exaltado e de modo audível para as demais pessoas que se encontravam no restaurante àquela hora, nomeadamente que a comida não prestara e que nunca tinha sido tão mal servida".

Os factos remontam a Julho de 2005, durante um jantar de um grupo de médicos e enfermeiros de um centro de saúde, para assinalar a despedida de um colega de trabalho.

Perto do final do repasto, uma das participantes considerou ter sido tratada de forma indelicada por um dos funcionários, pedindo o Livro de Reclamações.

Segundo a fonte, o Livro de Reclamações só foi fornecido depois do pagamento das refeições e após a chamada da PSP.

Na sequência desta queixa, a reclamante foi notificada pelo tribunal, em Fevereiro de 2006, de uma queixa-crime que lhe tinha sido movida pela proprietária do restaurante que viria a resultar na sua condenação.

As expressões desprimorosas para o restaurante que determinaram a condenação terão sido proferidas pela arguida no intervalo de cerca de hora e meia que mediou entre o pedido do Livro de Reclamações e a sua apresentação.

A fonte afirmou que em Dezembro do ano passado, cerca de dois anos e meio após a ocorrência, a reclamação continuava em analise nos serviços camarários.

Contactada pela Lusa, fonte da Câmara de Matosinhos disse que está a avaliar o caso, prometendo esclarecimentos em breve.

JGJ.

Lusa/fim"


O que será que a senhora terá dito em tom exaltado? Imagino que apesar de potencialmente ser uma médica ou enfermeira, deve ter soltado algumas palavras que fazem corar as pedras da calçada, na forma tão características das gentes do Porto. Será que tinha razão?

Como cliente, mas também como fornecedor, já me senti dos 2 lados da barricada, e sei como se pode ser muito pouco objectivo na hora de reclamar sobre algo que não foi do nosso agrado, e também como essa reclamação pode ser completamente injusta ou injustificada face ao serviço prestado.
Claro que a maioria vai achar que estou a ser complacente, mas quando estou como cliente, tento ver o lado de quem me está a prestar um serviço ou a vender um bem, e só reclamo quando acho que estou objectivamente a ser prejudicado e não apenas por que não fui com a cara de quem está na minha frente.
Talvez seja essa a cultura predominante no País agora, pois antes todos comiam e calavam. Agora todos cospem no prato de comida que lhes dão e querem sempre mais e mais, e de preferência, de borla. É uma melhoria nos nossa forma de viver em sociedade, mas só teremos realmente evoluído quando reclamarmos com razão e essa razão nos seja reconhecida de forma expedita e civilizada, sem precisar recorrer a pressão psicológica, coação física ou ameaçar com a ASAE ou outro organismo regulador, que agora parece pior do que era ameaçar fazer queixa à PIDE no tempo da "outra senhora"!

Reclamem, mas racionalizem antes de o fazer, sob pena de vos acontecer o mesmo que a esta senhora, ou em alternativa, terem uma chatice imensa que não vai dar em nada.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz Ano de 2008

Neste dia é sempre altura para recordar o que se passou em todo o ano que passou, e fazer votos para o novo ano. Não posso fugir à regra, mas com a certeza que, na prática, não é neste dia que tudo vai mudar.

A Suburbia tem destas coisas, pois num dia de alegria, se formos a analisar bem a realidade em que vivemos, poucos são os motivos para comemorar, excepto comemorar porque estamos vivos (e já não é assim tão pouco). A realidade que nos rodeia não é a melhor pois estamos objectivamente mais pobres, com pior qualidade de vida, mais soturnos, menos confiantes nos dias que aí vêm! Não é propriamente o espírito ideal para um novo Ano, mas a realidade a isso obriga.

2008 será mais um ano louco, em que apesar de ter 366 dias, parece que todos vão voar ainda mais rápido que os deste ano. A loucura dos dias é cada dia maior, a velocidade a que vivemos é cada dia maior, e mesmo sem que nos apercebamos disso, caminhamos cada vez mais rapidamente para uma espécie de auto-destruição, onde viver se torna cada vez mais difícil, apesar de termos cada vez mais meios para podermos aguentar esta vida da Suburbia.

No entanto, a Suburbia exige cada vez mais de nós: temos que ser excelentes profissionais, óptimos pais, parceiros inteligentes, maridos/mulheres dedicados e ao mesmo tempo atenciosos, quando o tempo já quase não chega para o mais básico (viver, comer e dormir)... Onde é que isto nos vai conduzir?

2008 nesta loucura não vai trazer nada de novo, pois este caminho é inexorável e parece que nada nem ninguém consegue mudar esta voragem do tempo, que tudo consome e que destrói aos poucos a Humanidade. Será que é este ano que como sociedade vamos começar a pensar que está na altura de repensar um pouco o nosso modo de vida? Que iremos repensar a forma como desenhamos estes grandes campos de cultivo de humanos a que designamos de cidades, e a forma como elas afectam toda a nossa vida?

Será que é neste ano de 2008 que a Suburbia vai começar a viver mais à nossa medida e não nós que nos subjugamos à sua força? Infelizmente não me parece, pois como humanos que somos, logo razoavelmente acomodados face à mudança, temos que ter um motivo muito forte para mudar. Ora esses motivos à escala de uma sociedade, só acontece com eventos disruptivos (revoluções, catástrofes naturais ou outras, pandemias, etc).

No entanto, faço votos para que as gentes da nossa Suburbia sejam mais interventivos e que lutem para mudar a realidade em que vivemos para melhor. Que não sejamos tão permissivos face a tanto abandono e desleixo por parte de quem tem responsabilidade de gerir os nossos espaços, de nos governar.

Se já fomos um povo de conquistadores, porque agora somos um povo de lesmas amorfas, que só se interessam com o final da novela da TVI ou o resultado do jogo do Benfica? Que 2008 traga a felicidade, mas também as rupturas para que finalmente possamos todos dizer que estamos a viver melhor. Tentarei fazer a minha parte, mas tal só servirá para algo, se esta mole de Suburbanos que tem contribuído para este estado de coisas começar a agitar as aguas.

Que o ano de 2008 seja um ano para recordar para todos, sobretudo pelos melhores motivos pessoais, profissionais, geracionais. Sejamos todos bem vindos ao Futuro. Feliz Ano de 2008 para todos!

domingo, 23 de dezembro de 2007

Feliz Natal!!

Desejo a todos os que se dão ao trabalho de ler as minhas postas de pescada, um Feliz Natal, cheio de Saúde, Alegria, Paz, Amor e já agora também umas prendinhas interessantes, pois é sinal que quem as está a oferecer ainda tem como as comprar!!

Não menospreze aquele par de meias antiquadas, ou aquela echarpe que parece saída do século XIX, pois na sua simplicidade será a forma que algumas pessoas tem de demonstrar o carinho que tem por si no Natal.

O Natal para quem não tem ninguém, pode ser a altura mais triste do ano, por isso não menospreze aqueles que ainda se lembram de si nesta data, pois mais tarde, poderá ser você a precisar da atenção deles!

Votos de Feliz Natal para todos, com a Família, com os amigos, com os colegas, com quem quiser, com quem for possível, na Suburbia ou num destino paradisíaco. O que interessa é que se sinta bem por dentro, por é essa a dádiva do Natal: alegria interior, que tanta falta faz no resto do ano!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O tempo não pára!

A suburbia pode melhorar ou piorar, mas há algo inexoravelmente verdadeiro: o tempo não pára, e hoje foi dia de pôr mais um ano em cima do meu nascimento.

O chato é que quando vamos ficando mais velhos, também vamos ficando mais desencantados com tudo o que nos rodeia. Mas ao mesmo tempo, espera-se que nos traga também mais sabedoria, que nos ajuda a fazer um mundo melhor, nem que seja o que nos rodeia.

A todos os que me rodeiam, o meu sincero agradecimento por fazerem parte do meu mundo, pois são eles o combustível que nos permite viver a vida, e crescer como ser inteligente.

Aos restantes, apenas posso desejar que tenham em atenção ao que os rodeia e tentem ser construtivos na vida que levam, e que isso não tenha influência negativa na vida de outros! Todos temos o direito de ser felizes!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Este blog também diz Piaçaba!

Este blog, afectado pela extrema falta de agitação que anda na Suburbia, decidiu aderir a um movimento inovador e quiça revolucionário!!

Assim este blog também diz Piaçaba!!

Quem dizer aderir ao movimento que visa limpar o bom nome de tal utensílio vá a http://piacaba.blogs.sapo.pt/

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Self-Destructive Mode?

A vida prega-nos destas partidas, em que nos deixamos iludir por falsas seguranças, por zonas de conforto das quais não queremos sair. Pois bem, a Vida na sua infinita sabedoria, encarrega-se de nos demonstrar que nada é seguro, seja onde for.

Nesta época de pretensa alegria, convívio com a família, mas também de reflexão, há momentos em que olho para o meu legado na Suburbia e vejo que apenas sobra aridez, dias banais, sem que o meu testemunho tenha servido para mudar um pouco o mundo.

Talvez por isso, este blog esteja igualmente árido, desconexo, enfadonho ou até deprimente. Afinal acaba por ser à minha imagem, à imagem da minha visão do mundo.

Será que ela interessa a mais alguém senão a mim próprio? Talvez sim. talvez não. Já me passou pela cabeça terminar com esta aventura na blogosfera, elimina-la até, para não ser apenas mais um com ideias banais.

Mas caramba... Se há tantos que escrevem por tudo, por nada, sobre tudo e sobre nada, por que é que eu não posso também deixar os meus bytes?

Vejo o mundo à minha volta a desfazer-se em várias vertentes a que dou muita importância e contribuem para o meu equilíbrio. Isso inevitavelmente transpõe-se para o meu comportamento, para a forma como todos os temas sobre os quais pretendo escrever acabam por ter uma componente destrutiva, depressiva, desgostosa. A Suburbia não é apenas isso, mas contribui para o estado de espírito. Só espero que este "Self-Destructive Mode" não seja a forma que encontrei para lidar com a mudança, pois ainda vai tornar a vida na Suburbia muito mais difícil de suportar.

Venha 2008, para que na ilusão de um novo Ano, venha a pretensão de novas alegrias, novos desafios, e também contribua para a mudança de objectivos e quem sabe de realidades, pois a actual em algumas vertentes, está tristemente doente, quando já foi radiosa e até invejada.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Vamos tornar a Suburbia asséptica

Fizeram-me chegar um artigo de opinião do António Barreto, publicado no Jornal "Público" de 25 de Novembro de 2007, que reflecte por um lado a sanha disciplinadora que agora move os nossos governantes, mas que se torna aberrante se não for enquadrada na realidade Portuguesa.
Atenção que com isto não quero dizer que sou contra a legislação aprovada, apenas é mais uma constatação que o Português (e desta vez não falo apenas dos suburbanos) passa do 8 para o 80 de forma absolutamente estapafúrdia e que apenas demonstra os tiques de querer ser o aluno bem comportado da escolinha Europeia (pensava que já nos tínhamos deixado disso, mas enfim...)

Aconselho-vos a irem ao post do António Barreto no blog Sorumbatico e a sua sequela, para perceber até que ponto se está a querer impor em vez de educar.

Aproveitem até ao fim do ano para comer na tasca do bairro, tomar um copo de vinho do pipo, e comer uns caracóis porque depois, só higienizados! Como dizia um certo humorista "se não tiver os germes, perde o gosto!".
A higiene agradece, mas não sei se isto será uma medida muito ecológica, pois vai aumentar o consumo dos plásticos e seus derivados.

Ah, e uma nota adicional: lembram-se dos embrulhos das castanhas nas folhas das páginas amarelas? Pois bem, como isso passsará a ser proibido, hoje a empresa Páginas Amarelas colocou carrinhos de venda de castanhas em saquinhos de papel devidamente higienizados com o exterior simulando o conteúdo das páginas da lista telefónica!

Realmente esta medida veio demonstrar a fácil adaptabilidade do português... especialmente do empreendedor que já viu nisso uma boa linha de novos negócios! E do Xico Esperto, que já está a pensar que os copos e pratos de plástico também podem ser lavados e reutilizados (a bem da ecologia, claro!).

Viva a modernidade saloia!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Mulheres Balzaquianas

Hoje nasceu mais um blog que tem potencial para ser bastante interessante sobre "Mulheres Balzaquianas"!

Pelo menos, a autora tem potencial, mas eu sou bastante suspeito!

Visitem e comentem em Mulheres Balzaquianas e boas leituras. Para mulheres balzaquianas e não só!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Roupagem de Outono/Inverno

Com a chegada do frio, também está na hora de mudar de roupas aqui no blog e torna-lo um pouco mais "gráfico"! Espero que gostem!

Se não gostarem, a culpada chama-se esposa! Se gostarem, a culpa também é dela, que andou a ensinar-me os mandamentos básicos do CSS e a dar umas dicas! Finalmente aqueles livros todos que ela andou a ler sobre o assunto lá me ajudaram!

Quem diria que ainda fosse aprender algo com a minha cara-metade no que respeita a construção de blogs!??!?

Mas também tenho o privilégio de ser ajudado pela fundadora de um dos grupos de Hardanger mais movimentados do MSN Groups, por isso só poderia ficar melhor do que estava!

Espero que seja agora que tenha mais de mil visitantes. Para todos eles, sejam novamente benvindos!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Divagações de uma noite de chuva

As noites invernosas na Suburbia são sempre um bom motivo para divagarmos um pouco, nem que seja para fazer passar o tempo enquanto não vamos ao encontro de um novo dia. Hoje como finalmente choveu algo neste Outono com cara de Verão, tenho direito de encher este blog com pouca coisa em que nada se aprende.

Para os poucos que me lêem, não coloquei aqui mais nenhum post até agora, porque merecem que seja no mínimo uma prosa minimamente inspirada. Ora como sou tudo menos um génio literário, a inspiração não vem todos os dias. A Suburbia é suficientemente vasta e variada para se quisermos, haver temas para milhares de crónicas, diárias, quase horárias!

No entanto, confesso que estes meses não tem sido os mais inspiradores nesta bendita Suburbia, não sei se por andar desencantado com tudo o que me rodeia, ou se é apenas consequência de mais de 35 anos exposto a uma mesma realidade.

É difícil obter inspiração quando sentimos que os meses e os anos passam e não parece haver qualquer tendência para uma melhoria da qualidade de vida perceptivel como habitantes da Suburbia. Não digo que vivo pior agora do que vivia quando era criança, pois neste momento consumo mais do que podia consumir no passado. Mas e daí? A felicidade faz-se num centro comercial ou numa loja de griffe? Talvez para alguns isso seja verdade. Para mim não é...

Todos temos os nossos momentos menos felizes, e neste País cada dia mais deprimido e deprimente, de que faço parte, quer como cidadão, quer como quadro superior que contribui numa ínfima parte para a sua evolução, sinto-me a definhar todos os dias, pois cada dia parece que os Portugueses estão mais estúpidos ou amorfos (não sei qual deles ou se ambos são verdadeiros).

Olho à minha volta e sinto que algo está a mudar, só não consigo entender para onde, e o que está a mudar. No entanto, tenho a nítida sensação que não faço parte dessa mudança, que não me sinto mais parte desta realidade. Há quem me diga que preciso de me adaptar à mudança, que "estão a mexer no meu queijo". Talvez assim seja, mas para mim a mudança tem que ser feita por pessoas, e são essas pessoas que me fazem acreditar na mudança que possa estar a ocorrer!
Talvez por andar um pouco desencantado com as pessoas, que as prosas também podem ter um sabor amargo. Sinto que estou numa encruzilhada, em que algo vai ter que mudar, em que se continuar este rumo, será auto-destrutivo. Mas como bom filho da Suburbia, tenho que seguir os seus passos. Ou será que ninguém reparou que a Suburbia caminha autofagicamente para a sua própria destruição?

Olhem à vossa volta. Onde estão as cidades pensadas como se fossem um lugar bonito para se viver? Onde hajam espaços em que possamos passear, estar com as crianças num local calmo, onde possam brincar sem haver perigos com automóveis, ou até com outras pessoas?
Onde estão os espaços pensados para estarmos ao ar livre? Centros comerciais nascem como cogumelos, como variantes malignas do mesmo vírus consumista. Prédios aparecem em todo o lado, e mesmo nos lugares que estavam minimamente planeados, vemos florestas de betão a brotar para vedar o acesso da Suburbia às restias de beleza natural ainda existentes.

Talvez por isso sinto-me acorrentado neste mundo feio! E talvez também por isso, sinta que estou a ficar feio por dentro e isso irrita-me, desgasta-me, desagrada-me e isso reflecte-se no que faço e penso. Talvez devido a esta fase ainda mais cinzenta, evito blogar, pois não sai nada mais coerente do que isto...

Prosas de chuva, enquanto o tempo passa...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Geração Bling-Bling? Ou estou a ficar velho?

Hoje dei por mim a assistir atónito a uma cena no Metro que me fez pensar que ou estou a ficar velho, ou há algo de profundamente errado nos valores da Suburbia.
Quem anda de transportes públicos na suburbia já reparou no boom de pessoas (eu inclusive) que andam neles com leitores de MP3 ou afins a ouvir a sua música e a não se meter com o vizinho do lado.
Ora bem, agora com o calor e as novas tecnologias foram recuperados (em versão século XXI) os "tijolos" que os jovens nos anos 80/90 levavam para a praia e que poluíam o ar com 300 tipos de música diferente, e que povoavam os transportes onde iam os "afortunados" que não podiam ir de carro para a praia.

Hoje, quarta-feira, 8:00 da manhã, hora a que ainda apetece ir a dormir de olhos abertos, estação do Metro da Bela Vista. Entram 2 chavalecos de uns 15/16 anos com pinta de malandrões, em traje de praia, e perseguia-os um barulho de house music que por trás da música do meu MP3 inicialmente não consegui identificar de onde vinha...

Pois bem, o que era?!? O estimado Nokia 6280 de um dos rapazolas, em modo altavoz a bombar house music em altos berros para o comboio todo ouvir! E ainda para cumulo, sentou-se em frente de um casal que ficou imediatamente incomodado com a barulheira. Devem ter pedido para ele desligar aquilo, mas ainda foi pior, pois além de não desligar ainda começou a protestar e desconfio que não se ficou apenas pela refilice, pois tinha pinta que não ia ficar pelo "não desligo porque não me apetece"... O casal ficou atónito e desconfio que se fosse alguém com cabeça quente, pelo menos o "menino" levava uma chapadona na tromba de certeza!
Não é que não goste da música mas já imaginaram se de repente as centenas de utilizadores de MP3 nos transportes se lembrassem de tirar os phones e pusessem aquilo em alta-voz? A cacofonia que não seria?

No entanto, atenção: nos últimos tempos já não é a primeira vez que assisto a situações semelhantes e quase sempre a jovens com a mania que são os maiores. Isto é apenas mais um pequeno exemplo da total boçalidade e falta de respeito pelos outros que grassa por muitos dos adolescentes neste País. E isto mais tarde vai reflectir-se na forma de estar como adultos e irá condicionar a sociedade num futuro próximo.

Os da minha geração (inicio da década de 1970) também já tinham uma visão muito idílica do mundo, e não passaram pelas dificuldades nem pela repressão da ditadura em Portugal, mas ainda assimilaram muitos dos valores socioculturais das gerações que fizeram o Abril de 1974.

No entanto, começa a chegar ao auge na sociedade uma nova classe de jovens que é individualista, medíocre, até por vezes mesquinha e que nunca teve que lutar para atingir um determinado objectivo, seja material ou imaterial. Que não valoriza a experiência dos outros, e para quem a futilidade e o imediatismo são o principal valor.

Geração "Bling-Bling"?

Não, está na altura da geração "rasca" do meio dos anos 90, do tempo do Cavaquismo, chegar a posições influentes na sociedade e moldar o evoluir do País e sobretudo da Suburbia. E isso nota-se em todos os estratos da sociedade, cada vez mais cinzenta e individualista, menos solidária.

E é esta geração que vai servir de exemplo para os jovens adolescentes, submergidos em exemplos de vida fácil e sem esforço, fomentados pelo marketing viral que os move (o amigo que manda um SMS para os amigos todos sobre aquela campanha fixe, ou um mail com mais uma oferta de musica de borla, ou liga a uma amiga a pedinchar um convite para uma discoteca da moda). Se tiver que se esforçar (leia-se "trabalhar") para os conseguir, não está minimamente interessado, pois apenas tem piada quando não tem esforço associado!

Posso estar a ficar velho, mas cenas como a que vi hoje para mim não são normais.
E só tenho pena que o casal não tivesse mesmo obrigado o "menino" a desligar o telelé-pintarolas-que-até-dá-música, ou então ficava sem ele até ao fim da viagem, como se faz aos putos mimados!

Para quem tem filhos: ao menos ensinem-nos a respeitar os outros e insurjam-se contra a indiferença e a arrogância típicas de quem nunca sentiu falta de nada. Não deixem que sejam os Media ou estranhos a moldar a mentalidade dos que lhes estão mais próximos. Participem activamente na construção de jovens mais bem preparados para a vida, mais conscientes das dificuldades naturais e também mais solidários. Só assim poderão ser felizes e em simultâneo, contribuir para a felicidade da sociedade em geral. A Suburbia agradece!

quarta-feira, 27 de junho de 2007

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Solidão das multidões

As cidades são espaços privilegiados para grandes multidões, seja no estádio de futebol, num concerto, num centro comercial, numa igreja, na rua, nos transportes.

No entanto, cada vez mais os suburbanos sofrem de um mal que vai matando aos poucos a capacidade de cada um se relacionar com os outros: a imensa solidão que a maioria sente nesses grandes espaços públicos.

A solidão urbana é fria, indiferente a sexo, raça, extracto social ou credo religioso. Esta solidão é alimentada por um ritmo de vida alucinante, em que cada um vive para cumprir um horário feito para super-homens ou para dias de 48h. É neste ambiente de loucura que ainda se tenta encontrar um amigo ou amiga, uma ou mais almas com quem se pode compartilhar momentos de prazer e descontracção.

É também neste ambiente que as relações intimas tentam sobreviver quando ele trabalha das 9 às 21 e ainda é roubado pelos colegas para ir para aquele jantar de negócios e ela trabalha das 9 às 21, mas depois vai ao ginásio para combater o stress, ou fica com aquela enxaqueca terrível depois de um dia terrível. Quando finalmente podem estar juntos, estão demasiado cansados para sentir o prazer de estar um com o outro.

Se a isto juntarem filhos ou outras ocupações tão tipicamente urbanas, o que resta? Apenas a solidão de uma cama fria ou de uma sala vazia, uma falta de intimidade com alguém que compense todos aqueles momentos mais desagradáveis em mais um dia no inferno da Suburbia.

Esta solidão das multidões é talvez o mais ignorado dos sentimentos da Suburbia, talvez porque toda a gente tenha vergonha de assumir que se sente sozinho no meio de uma multidão. Mas todos os dias, milhares e milhares de pessoas deslocam-se sozinhas na cidade, sozinhas com os seus pensamentos, medos, alegrias, ambições. Que bom seria se o pudessem partilhar com alguém! Quantas vezes não sentiram necessidade de contar a alguém algum evento e não tinham ninguém que o pudesse ouvir? Ao mesmo tempo quantos já não passaram por aqueles momentos confrangedores de alguém que não se conhece mete conversa só por que lhe apeteceu e ficamos a pensar: "Este não bate bem dos pirulitos..."

Mas agora chegou a maravilha da tecnologia que permite ultrapassar isso tudo: está sozinho e quer falar com alguém? Não incomode o seu vizinho, telefone para o seu amigo ou amiga que está a 200km de distância, para lhe falar sobre aquele assunto que no momento achou o mais importante da sua vida. Só que esta tecnologia na prática aumenta ainda mais a solidão, senão vejamos: quem não passou já pelo constrangimento de estar num almoço de amigos e 75% dos elementos na mesa estão ao telemóvel com alguém?

É por crescer este tipo de solidão que cada dia mais a sociedade, e em particular as moles urbanas estão cada vez mais descaracterizadas, tristes, amorfas, sem vida, pois está a perder-se a capacidade de comunicar com os outros de forma espontânea. Para compensar isso, criam-se as comunidades virtuais e outros estratagemas tecnológicos para reinventar o puro prazer de estar com os outros.

Não vou sugerir que agora desate a falar com aquele grupinho que vai de Metro consigo ou meta conversa com o vizinho da fila de trânsito, mas redescubra o prazer de conversar, estar com a família, os amigos e deixe lá o telemóvel em silêncio por uns minutos. Vai ver que o telemóvel não se vai sentir só (por enquanto!).

E sorria, sorria com o verdadeiro prazer de viver. Vai ver que não dói e no fim do dia sentir-se-á menos só.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Ninguém é indispensável, mas que faz falta, faz!

Em primeiro lugar deixem-me realinhar o posicionamento do que escrevo: escrevo sobre o que sinto e sobre o que me rodeia.
O objectivo inicial deste blog talvez fosse um pouco mais generalista, mas até pela pouca divulgação do mesmo (o meu contador conta actualmente umas miseras 250 visitas, e ainda por cima algumas são minhas para fazer os posts), cada vez mais se torna um cantinho intimista em que todos os que vierem por bem, são bem vindos.

Esta ausência de quase 3 meses deveu-se entre outras razões, a umas retemperantes férias em terras de Vera Cruz, que por razões meramente conjunturais acabaram por me fazer contactar durante mais tempo com outra suburbia, outra realidade, outras pessoas, mas que infelizmente tem muitos pontos comuns com a nossa realidade suburbana.

No entanto, não é deste meu devaneio por outras paragens que me leva a esta prosa. Que me perdoem os outros, mas este post tem destinatários. Nestes 3 últimos meses aconteceram alguns eventos preocupantes do ponto de vista profissional e consequentemente também do ponto de vista pessoal, pois não consigo compartimentar totalmente as relações pessoais das profissionais, pelo menos dos que me estão mais próximos.

Tenho tido o prazer de trabalhar numa equipa em que, apesar das múltiplas dificuldades sentidas num ambiente de quase guerra sem quartel, esta sempre soube manter uma estabilidade, unidade, camaradagem e força invejada por muitos dos que nos rodeiam.

Porém esta estabilidade começa a ser comprometida, quer pelas justas ambições de uns, quer pela precariedade do vínculo laboral de outros, e antevejo dias ou meses difíceis pela frente.

Costuma dizer-se que numa organização, ninguém é indispensável. No entanto, numa equipa onde cada um tem características que complementam as dos outros, a saída de alguém acaba sempre por ser uma perda sentida. Se juntarmos a isso uma relação pessoal mais próxima, a perda pode ser ainda mais sentida, mas a vida é feita disso mesmo, de rupturas na continuidade, que nos fazem acordar para a realidade a que nos acomodámos.

O motor de uma boa equipa é o respeito pelas diferentes opiniões, pelas diferenças de comportamentos, e em simultâneo o reconhecer das limitações de cada um e a humildade de as assumir sem que isso se torne uma forma encapotada de se encostar ou sobrecarregar os outros.

Sei que, tal como estive prestes a dizer "Adeus", outros o farão num futuro mais ou menos próximo, pois nada nesta vida é imutável. Fica aqui o meu testemunho sincero de que esta equipa vale pela soma de várias personalidades, maneiras de trabalhar, maneiras de ver e estar na vida e que soube gerir as tremendas dificuldades do dia-a-dia com uma postura positiva, conseguindo rir mesmo naquele momento particularmente stressante, após mais uma estonteante "cavalidade" cometida seja por colegas ou pessoas externas ao grupo.

De todos, talvez por ser o "membro fundador" da equipa, sou o que sinto mais as mexidas que se perspectivam, e sinto-o porque apesar de todos os defeitos que cada um naturalmente tem, na minha quiçá inocência, penso que todos eles podem contribuir para um objectivo comum. Cada um no seu modo de ser contribuem para que o dia seja um pouco menos cansativo... Seja pelo sorriso matinal que desarma qualquer má disposição, seja por aquele ar preocupado de quem já desancou 32 pessoas e ainda são só 9:30 e logo a seguir conta uma piada, seja pela estória de mais uma peripécia da filhota querida, seja pela resmunguice de quem mais uma vez chegou atrasado por causa do trânsito e tem 30 papeis para fechar nesse dia, ou seja pelo riso gaiato de quem parece não ter preocupações na vida, tudo isso são pequenos actos que me fazem sentir na minha segunda casa, junto da minha "família".

Numa equipa assim, garanto-vos, a todos sem excepção: ninguém é indispensável, mas todos fazem muita falta!!

A todos eles, fica aqui o meu reconhecimento pessoal pelos ensinamentos profissionais e de vida que tenho podido obter de todos eles aos longos destes últimos meses. Não sei quanto tempo continuaremos a partilhar as mesmas funções, mas podem ter a certeza que o respeito pelo trabalho e individualidade continuará, sempre na mesma na medida em que seja respeitado (só peço isso em troca).

Como dizia com muita graça um colega: "Avisa-se que um contacto prolongado com esta direcção pode causar danos irreparáveis", a que eu junto "...mas com uma equipa destas, não há dano irreparável nem mal que perdure".

Um Mundo um pouco melhor constrói-se com entreajuda e respeito pelos que nos rodeiam, sejam eles família, amigos, colegas ou até estranhos com que nos cruzamos na rua. Pense nisso e aja em conformidade. Talvez descubra que afinal a vida na Suburbia ainda pode proporcionar bons momentos no meio do stress e da loucura do dia-a-dia! E na vertente que menos esperava!!

Carta aberta ao Presidente da Junta de Freguesia do Subúrbio

Este e-mail que abaixo transcrevo, foi escrito num momento de revolta inconformada com a quantidade de disparates e desperdício do meu dinheiro (do dinheiro de todos nós) que tenho assistido nos últimos anos no meu subúrbio. No entanto, o que é revoltante é que quase todos os que vivem nas áreas suburbanas de Lisboa, tem de certeza queixas semelhantes, independentemente da cor politica do executivo camarário ou da freguesia. É por causa de pequenas coisas como estas que perco todos os dias a minha confiança na capacidade da classe política mudar algo neste País... Retiro as referências especificas, mas apenas por razões "pseudo-literárias" e de privacidade.

"Ao cuidado do Sr. Presidente da Junta de Freguesia da Subúrbia e restante executivo da Junta

Venho pela primeira vez recorrer a este meio para demonstrar o meu veemente protesto pelo péssimo serviço aos habitantes da Subúrbia que este executivo da Junta de Freguesia tem vindo a prestar nos últimos anos, no que respeita às condições de habitabilidade nesta cidade já de si problemática, e que o exemplo abaixo apenas é mais uma evidência.

Sou morador na Rua A e hoje, dia 28/MAIO/2007 fui confrontado com a execução de uma obra nesta rua que me deixou totalmente perplexo.
Há alguns anos atrás foram construídas 2 reentrâncias nos passeios da parte poente desta rua para acomodar os contentores de lixo, devidamente acondicionados, protegidos com barras de metal em redor, que por um lado impediam que os automóveis batessem nos contentores e por também impedia que em dias de maior intempérie, os contentores andassem espalhados pela rua com o vento.

Hoje ao voltar a casa no fim da tarde deparo com a obra executada (que pela dimensão e tipologia, pressuponho que seja de responsabilidade da Junta de Freguesia), em que taparam as 2 reentrâncias criadas nos passeios. Assim, os 3 contentores do lixo estão agora soltos no meio da rua, com evidente perigo de acidentes numa rua já de si extremamente apertada, estando um
deles em cima de uma curva de pouca visibilidade.

Este é apenas um dos pequenos exemplos que povoam a cidade de Subúrbia, do que considero um desperdicio quase doloso do dinheiro dos contribuintes com obras de total inutilidade. Neste bairro, infelizmente os exemplos nos últimos anos são mais que muitos:
- escoadores transversais das aguas das chuvas na Rua B que agora nada mais são do que mais bandas sonoras e buracos na rua. Só mesmo quem nunca esteve aqui no bairro num dia de chuva é que não percebe que o problema é que a rua foi construida num leito de rio e a não ser que façam uma barragem, a rua continuará sempre a inundar cada vez que chove um pouco mais forte.
- Parque de estacionamento junto à rotunda do Supermercado - fizeram um parque de estacionamento que ninguém usa com medo dos assaltos diários provocados pelos bandos de marginais oriundos do bairro vizinho. Como consequência do novo parque, a terminação da Rua A com a rotunda quase não tem espaço para se cruzarem 2 carros.
- Afunilamento da Rua A, topo poente, com a construção de um pseudo passeio que tem um desnível de quase 20 cm para a estrada (deve ser para os idosos do Bairro poderem fazer exercícios de stepping, de certeza!!!).
- Permissão de construção no topo da Rua A/Rua B com uma volumetria que tudo indica vai fazer com que a construção fique em cima da estrada. Lugares para estacionamento? Não deve ser preciso, e o construtor aproveita e "rouba" mais alguns dos poucos lugares ainda disponíveis para estacionar , para passear os filhos/netos ou o cão na rua. Acho extraordinário é como podem construir por baixo de linhas de alta tensão, mas nesta Cidade já nada me espanta.

Fora do Bairro também existem outros exemplos, como a verdadeira zona de guerra em que se transformou a Av. Paris-Dakar há meses a fio e que não se vê fim à vista, nem sequer real utilidade nas obras que estão a ser efectuadas, com prejuízos que imagino incalculáveis para os moradores e comerciantes (já de si poucos) da zona.

Apelo à Junta de Freguesia para que dedique os seus esforços a contribuir para o real bem estar e segurança das populações, como por exemplo:
- exigir junto das autoridades policiais mão firme contra a marginalidade cada dia mais evidente e descarada em toda a nossa cidade e com origem há muito identificada;
- garantir a segurança no acesso ao novo Centro de Saúde de Subúrbia ou caso contrário, estaremos a trazer os idosos, doentes e necessitados ainda para mais próximo de zona inseguras (talvez um dia os senhores autarcas venham ao novo Centro de Saúde de madrugada e tenham que ficar numa fila de espera para marcar uma consulta, e ali ao lado ouvirem os disparos de armas, como com alguma frequência ouvimos aqui na vizinhança)
- fomentar sem obras de fachada uma politica de criação de verdadeiros espaços verdes onde tal ainda é possível, e não apenas plantação isolada de umas arvorezinhas raquíticas que depois ninguém mantém
- pararem de vender a terra onde todos moramos à chusma de especuladores imobiliários que sugam a vida deste País e desta Cidade e começarem a criar condições de vida condignas aos que cá habitam, prestando serviços de forma a que Subúrbia seja uma Cidade viva e não apenas um deposito nocturno de pessoas.

Lamento dizê-lo, com a tristeza de quem sempre viveu na Subúrbia, que tenho vergonha do que estão a fazer com a minha Cidade, precisamente numa altura em que o desenvolvimento causado pela construção em torno das novas acessibilidades veio trazer uma oportunidade que não se repetirá nas próximas gerações para criar uma Cidade moderna e mais funcional e que se tinha libertado das grilhetas de um transito caótico que contribuía para asfixiar o seu desenvolvimento.

Senhores Autarcas, garanto que nas condições actuais não voltarão a ter o meu voto, quer para a Junta, quer para o Município. Como Suburbano, peço-vos que nos façam um favor: se não sabem fazer bem feito, mais vale não fazerem nada, pois pelo menos sei que o meu dinheiro não é atirado para o lixo e fico com a
inocente esperança que mais tarde poderá vir a ser bem usado por quem sabe o que faz."

Como é já normal nestes casos, não obtive qualquer resposta, mas pelo menos deitei-me um pouco mais feliz por não calar a minha revolta.