quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Solidão

É incrível como numa cidade onde vivem milhões de pessoas, se consegue ter um sentimento tão forte de solidão, mesmo quando rodeado por tanta gente!
Por vezes a solidão é tão dura que dá vontade de gritar a plenos pulmões, na esperança que alguém ainda consiga escutar para lá do ruído da multidão… Mas a solidão é sobretudo um estado de espírito, com tudo de bom e mau que traz consigo. O Homem é por natureza um ser sociável logo a solidão é algo totalmente contra natura.

No meio da multidão, há muita solidão, muitas caras tristes, seja porque o seu dia-a-dia é penoso, seja porque hoje acordou com uma predisposição para o mau humor.
Hoje sou apenas mais um na multidão. Que me desculpem os que estão bem com a vida, mas hoje o sol não nasceu brilhante por este lado da Suburbia… Esperemos que o dia termine e amanhã tudo melhore!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Feliz Ano de 2010

Um Feliz Ano de 2010 para os poucos que ainda leem o meu blog!

Que este ano represente mais um ponto de viragem para melhor na Suburbia e em especial para os Suburbanos que se interessam pela Vida!

Paz, Amor, Saúde! O resto vem por acréscimo!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Obrigado!

A todos os que me desejaram os Parabéns pelo aniversário, aqui fica o meu muito obrigado e que em 2010 todos possam novamente congratular-me, sobretudo porque vai ser a entrada na idade "adulta" dos 'entas.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Sismo de Natal? (17/Dez/2009)

Quinta-feira, dia 17/Dez/2009 às 01h37 GMT, ocorreu um sismo de magnitude 6.0 na escala de Richter, sentido sobretudo na área metropolitana de Lisboa e no Algarve.
O epicentro foi a cerca de 100 Km a oes-sudoeste do Cabo de São Vicente, e durou alguns minutos, mas apenas sentido pelas pessoas durante alguns segundos. Felizmente aqui em casa ninguém sentiu o sismo e ainda bem, porque não é propriamente uma sensação agradavel!

Oficialmente não foram registados danos com o sismo, mas por aqui no prédio já apareceram as primeiras rachas causadas por ele, e como agora começou a chover, já há infiltrações significativas de água num prédio que foi totalmente reparado há cerca de 5 anos, mas cujo telhado não é arranjado, porque ninguem cumpre com as suas obrigações como condóminos, e acham que o problema do telhado é apenas de quem mora no último andar.
Não desejo realmente isso, mas quase dava vontade que o telhado abatesse e com isso causasse problemas em todos os apartamentos, para acabar com esta palhaçada de gente egoista e ignorante, que pulala nesta Suburbia.
Obviamente não sou totalmente parcial, pois o apartamento que está a sofrer as consequencias é dos meus pais e foi minha casa durante quase 30 anos. Mas independentemente disso, é impressionante como esta situação se arrasta há quase 30 anos sem real resolução.
Será que é necessário lançar fogo ao lixo posto por alguns que existe no sotão do prédio e que na prática impede de resolver definitivamente o problema com o telhado já podre e velho?

O Natal já não vai ser igual ao dos anos anteriores, pelas mais variadas razões. Agora nunca pensei que o Natal fosse agora afectado por um cancro que se arrasta há 30 anos.
Que pena que no Natal, a principal prenda que se oferece não seja doses concentradas de inteligência para tentar colmatar a estupidez crescente em que todos estamos envolvidos. Isso sim, seria um grande presente, não só para mim, mas para grande parte da Humanidade.

Feliz Natal, sem tremores que não sejam apenas do frio típico da época!

Natal é quando um Homem quiser

Porque será que cada dia se torna mais dificil acreditar nesta frase feita? Será que sou eu que estou a ser cada diamais pessimista sobre a Humanidade, ou pura e simplesmente estou com aquela melancolia natalícia que ataca quando o frio e a chuva chegam em força, todos os lugares onde se pode comprar uma lembrança são inundados de milhares de presenteadores profissionais e outros tantos amadores, que apenas vão lá para ver o que vão poder comprar nos saldos no ano seguinte?
Eu faço parte desse grupo de presenteadores de ultima hora, por preguiça, mas também porque apenas penso no assunto em cima da hora. Será que é realmente necessário presentearmos alguém para lhe demonstrarmos a nossa amizade? Ou muitas vezes é exactamente o oposto: o presente é a forma da nossa consciência ser aplacada por não ter ligado peva a essa pessoa durante todo o resto do Ano?

Numa época de crise, deveriamos pensar um pouco antes de comprar alguma coisa, mas a "tradição" é mais forte que a razão, por isso gastamos sem destino, como se o mundo fosse acabar amanhã. No ano que vem logo se vê se valeu ou não a pena.

Feliz Natal e que a Felicidade faça sempre parte da sua vida, em doses comedidas mas regulares, seja nesta época ou em qualquer outra!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sintomas de Stress

Este pequeno excerto sobre alguns dos sintomas de stress associados a um caso real, conduziu-me a comparações com algumas das pessoas que conheço. Enumerado desta forma analítica, torna-se ainda mais gritante o quanto o stress afecta a nossa qualidade de vida, e que na Suburbia é por vezes levado ao extremo.

Chamemos Nelson à pessoa associada a este caso real, um director de informática. Uma análise das origens e causas do seu estado de stress indicaram as seguintes conclusões:
  • O stress não era causado pelas condições em que o trabalho de Nelson era desenvolvido, mas pelos medos irracionais que ele sentia.
  • A origem dos seus medos estava nas frases distorcidas que ocupavam constantemente a sua mente.
  • Os pensamentos mais nocivos davam origem a estas frases e que ele repetia constantemente, eram pensamentos catastrofistas, do tipo: "Esta aplicação foi abaixo; embora pareça um pequeno problema, na realidade vai ser impossível resolvê-lo nos próximos dias, as consequências serão terríveis, o sistema estará parado e isso provoca uma catástrofe; todos me apontarão como responsável e o meu chefe dar-se-á conta de que sou um incompetente e acabarão por contratar um serviço externo de informática e eu irei para a rua..."
  • Apesar de tudo correr bastante bem no trabalho, e de a realidade demonstrar dia a dia que esses pensamentos eram irracionais, Nelson não conseguia tranquilizar-se e sentia-se permanentemente em perigo.
  • No trabalho, Nelson era incapaz de definir prioridades e, muitas vezes, de delegar tarefas nos outros, pelo que se encarregava desnecessariamente de trabalho extra.
  • Custava-lhe muito dizer NÃO. Sentia que devia agradar a toda a gente. Muitas vezes, ele próprio aumentava mais a carga de trabalho ao sugerir que poderiam fazer algumas adaptações que não estavam previstas.
  • Em vez de dedicar o seu tempo a dirigir, coordenar a sua equipa e a estabelecer as prioridades de trabalho, frequentemente trabalhava no terreno e assumia também funções de técnico. No fim, esta prática tinha as suas consequências: como não podia deixar de desempenhar as suas funções como membro directivo, prolongava todos os dias o seu horário laboral numa média de 3 horas, acabando literalmente "abatido".
  • O sobreesforço que realizava também tinha consequências em casa. Chegava sempre com o ânimo de rastos e, em vez de pôr a hipótese de alterar a sua forma de encarar o trabalho, deixava-se invadir novamente por ideias irracionais, que o levavam a um beco sem saída. Em várias ocasiões, tinha afirmado à mulher que na realidade não deveria ter casado e que tinha sido um erro ter filhos.
  • Durante a noite continuava a alimentar pensamentos irracionais, que lhe provocavam um stress constante. Como não conseguia "desligar", passadas as primeiras 2 ou 3 horas de sono despertava e estava o resto da noite numa espécie de vigília, facto que fazia com que na manhã seguinte acordasse esgotado e... tudo recomeçava!
Este excerto foi retirado de um livro intitulado "Trabajar Sin Sufrir", de Maria Jesús Álava Reyes, psicóloga espanhola com mais de 30 anos de trabalho no âmbito da psicologia clínica, educativa e do trabalho.

No entanto, para quem trabalha no sector das tecnologias de informação, há aqui padrões de comportamento que são facilmente identificáveis nas pessoas que nos rodeiam. São sinais de alerta para introduzir alguma mudança na vida dessas pessoas, ou acabarão por se auto-destruir.

Obviamente que estes problemas não são exclusivos das tecnologias de informação, nem sequer da Suburbia, mas o estilo de vida que vivemos potencia estes factores de risco.

E sabem qual é o conselho numero 1 que esta senhora dá aos seus pacientes? Analisem o vosso dia quer do ponto de vista das acções e pensamentos e registem-no por escrito. Possivelmente serão confrontados com algo que subsconscientemente relegavam para último plano.

Se se revê nem que seja um pouco neste caso talvez um pouco extremo, então pare um pouco para analisar o seu próprio caso e veja o que pode fazer por si.

Vinte Recomendações para evitar o Stress

  1. Faça pausas de 10 minutos a cada 2 horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária.
  2. Aprenda a dizer NÃO, sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.
  3. Planeie o seu dia, mas deixe sempre espaço para o improviso, consciente que nem tudo depende de si.
  4. Concentre-se, apenas, numa tarefa de cada vez.
  5. Esqueça, de uma vez por todas, a ideia que você é imprescindível. No trabalho, em casa, no seu grupo social, por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua actuação, a não ser você mesmo.
  6. Deixe de ser responsavel pelo prazer de todos.
  7. Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.
  8. Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os, porque são pura perca de tempo e ocupam espaço mental precioso para coisas importantes.
  9. Tente descobrir o prazer das pequenas coisas do dia-a-dia, como dormir, comer e tomar banho, sem achar porém que é o máximo a conseguir-se na vida.
  10. Evite envolver-se na ansiedade e tensão alheias. Espere um pouco e depois retome o diálogo ou ação.
  11. A família não é você, está junto de si, compõe o seu mundo, mas não constitui a sua identidade.
  12. Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso e travão no conhecimento e na procura.
  13. É preciso ter sempre alguem com quem se possa falar e confiar abertamente ao menos num raio de 100 Km. Não adianta estar mais longe.
  14. Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco. Nunca perca o sentido da importância subtil de uma saída discreta.
  15. Não queira saber se disseram mal de si nem se atormente com esse lixo mental; ouça o que disseram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.
  16. Competir no trabalho e na vida a dois, é óptimo... para quem quer ficar esgotado e perder o melhor!
  17. A rigidez é boa na pedra, não no ser humano.
  18. Uma hora de intenso prazer substitui, à vontade, 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.
  19. Não abandone as suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.
  20. Perceba, de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: você é o que se fizer!
No dia em que passe a conseguir assimilar pelo menos 10 destas recomendações, seguramente aprendeu a viver sem stress.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Turismo Rural

Não sou o autor, nem sei quem é, mas a prosa é deliciosamente certeira sobre o que é hoje o "turismo rural".


Trata-se de um desporto nacional que antes se chamava "ir à terra". A diferença é que se fores à tua terra, vais de borla, e se fizeres turismo rural vais a uma terra que não é a tua e pagas uma pipa de massa.

Para fazer turismo rural não serve qualquer terra. Tem de ser uma Terra "com encanto".

E o que é uma terra "com encanto"?

Obviamente, é uma terra que está num guia de terras "com encanto".
Está-se mesmo a ver. A estas terras chega-se normalmente por uma estrada municipal "com encanto", que é uma estrada com tantos buracos e tantas curvas que quando chegas à terra estás mortinho para sair do carro.

E quando entras no café tentas integrar-te com os vizinhos.

- Bom dia, compadres! O que é que é típico daqui?

E o gajo do café pensa: "Aqui o típico é que venham os artolas da cidade ao fim-de-semana gastar duzentos contos".

A seguir, ficas instalado numa casa rural ou "casa com encanto", que é uma casa decorada com muitos vasinhos e réstias de alhos penduradas do tecto, que não tem televisão, nem rádio, nem microondas. Em contrapartida, tem uns cabrões de uns mosquitos que à noite fazem mais barulho que uma Famel Zundapp.

Depois apercebes-te que os da terra vivem numas casas que não têm Encanto nenhum, mas têm jacuzzi, parabólica, Internet e video-porteiro. A tua casa não tem video-porteiro, mas tem uma chave que pesa meio quilo.

Outra vantagem de fazer turismo rural é que podes escolher entre uma Casa vazia ou ir viver com os donos da casa. Fantástico!!! Vais de férias e, além da tua, ainda tens de aguentar uma família postiça.
Que à noite queres ver o filme, eles os documentários e tu perguntas-te:

"Quem é que manda mais? Eu, que paguei 600 euros ou este senhor que vive aqui?" Ganha ele, que tem um cacete.

Ainda por cima, dizem-te que tens "a possibilidade de te integrares nos trabalhos do campo". O que quer dizer que te acordam às cinco da manhã para ordenhar uma vaca. Não te lixa?

É como ires à bomba da gasolina e teres de pôr tu a gasolina, ou como ires ao McDonalds e teres de arrumar o tabuleiro. Ou seja, o normal.

Então, levantas-te às cinco para ordenhar as vacas. E digo eu:

Porque raio é que é preciso ordenhar as vacas tão cedo? O leite está lá! Não se podem ordenhar depois do pequeno-almoço? Eu acho que isto é só para chatear, porque a vaca deve ficar muita contente por a acordarem às cinco da manhã para um estranho lhe vir mexer nas mamas. A vaca olha para ti como se dissesse:

"Ouve lá, pá! Se queres leite vai ao frigorífico e abre um pacote!"

É que é mesmo só para chatear!!!

Mas o "encanto" definitivo são "as actividades ao ar livre". Como quando te põem a fazer caminhada, que é aquilo a que normalmente se chama andar, e consiste, exactamente, em por um pé em frente ao outro até não poderes mais, enquanto os da terra vão num jipe com ar condicionado. Mas tu, feliz da vida, vais pelo campo atordoado, tornas-te bucólico e tudo te parece impressionante. Vês uma vaca e dizes:

"Ummmmm, que cheirinho a campo". A campo não, a bosta!!! Mas, isso sim, é a bosta "com encanto". E tudo, seja o que for, te sabe maravilhosamente: na mesa pespegam-te 2 ovos estrelados com chouriço e tu na cidade não comes estes ovos, nem estes chouriços. E perguntas ao empregado:

- Este chouriço é da matança?

- Quase, porque o gajo do camião da Izidoro ia morrendo ali na curva.

De repente, ouves umas badaladas e dizes:

- Ah! Que paz! Não há nada como o som de um sino!...

E o gajo do café diz-te:

- É gravado. Não vê o altifalante no campanário?

Nesse momento, perguntas-te se os ruídos das galinhas e dos grilos não estarão num CD: "RuralMix2009", "Os 101 Maiores Êxitos Campestres". A única coisa de que tens a certeza é que os cabrões dos mosquitos são verdadeiros. Pareces um Ferrero Rocher com varicela!!!

Eu acho que, de segunda a sexta, as pessoas destas terras vivem como toda a gente, mas ao fim-de-semana espalham pela estrada uns tipos mascarados de pastores e quando vêem que se aproxima um carro, avisam os da terra pelo telemóvel: "Hey, vêm aí os do turismo rural!" E mudam o cartaz de "Videoclube" pelo de "Tasca", soltam uns cães pelas ruas e sentam à entrada na terra dois avôzinhos a fazer sapatos, que depois tu compras uns e saem-te mais caros que uns Nike.

Enfim, acho que uma montagem tão grande como esta não pode ser obra de pessoas isoladas. Tenho a certeza de estão implicadas as autoridades.

Imagino o Presidente da Câmara:

- "Queridos conterrâneos: este Verão, para aumentar o turismo, vamos importar
mais mosquitos do Amazonas, que no ano passado tiveram imenso êxito. E quero ver toda a gente com boina, nada de bonés de pala da Marlboro. E façam o favor de pintar o espaço entre as sobrancelhas, que assim não parecem da província! E as avós: nada de topless na ribeira, que espantam os mosquitos! E só mais uma coisa: este ano não é preciso ninguém fazer de maluquinho da terra, que com os que vêm de fora já chega!


quarta-feira, 18 de março de 2009

Reino Unido: Centenas de mortes anormais em hospital público

Reino Unido: Centenas de mortes anormais em hospital público

http://www.diariodigital.pt/news.asp?section_id=62&id_news=378620

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, apresentou hoje as desculpas do governo depois da divulgação de um relatório que denuncia falhas graves num hospital público, que poderão estar na origem de 400 a 1.200 mortes, entre 2005 e 2008.

Diz-se mal da Saúde em geral em Portugal, mas até nos países considerados mais desenvolvidos são cometidas verdadeiras barbaridades nos hospitais públicos ou de capitais públicos. Este problema é cada vez mais generalizado, talvez porque o respeito pela condição humana é cada dia menor, quando em simultâneo mais pessoas tem acesso a prestação de cuidados médicos. Como normalmente não é acompanhado por um crescimento idêntico dos recursos associados a esses mesmos cuidados médicos, a qualidade inevitavelmente sofrerá.

Deveria ser um factor de investimento público básico, mas em simultâneo, poucos são os que podem ou querem pagar o justo preço por esse serviço, o que torna a maioria dos sistemas de saúde autenticos sorvedouros financeiros e de qualidade duvidosa. Para isto mudar teria que haver um investimento público na qualidade dos serviços prestados, mas gerido de uma forma racional, evitando desperdicios mas ao mesmo tempo investindo no desenvolvimento de quadros e tecnologia que permitisse uma autosuficiência cada vez maior nos cuidados de saúde nos diversos países, e sobretudo deixar de haver a opacidade vigente sobre os custos reais dos serviços nacionais de saúde, para que pudesse facilmente escrutinar os abusos que sempre poderão haver quando falamos de dinheiro público.

Não quer isto dizer que seja contra a saúde privada. Apenas considero que os dinheiros públicos deveriam ser mais bem utilizados no apoio aos cuidados de saúde de todos, mesmo que isso implique alguma discriminação (os que podem pagar mais, contribuem mais, mas tem um sistema de qualidade). A situação actual em que os mais ricos pagam mais, mas depois se querem um mínimo de qualidade na prestação de cuidados de saúde tem que recorrer à medicina privada, acaba por ser uma perversão do conceito de igualdade que tanto se apregoa nas sociedades modernas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A Formiga

Uma fábula, ou talvez não...

Todos os dias, a formiga chegava cedinho à oficina e desatava a trabalhar.
Produzia e era feliz.

O gerente, o leão, estranhou que a formiga trabalhasse sem supervisão.
Se ela produzia tanto sem supervisão, melhor seria supervisionada?

Contratou uma barata, que tinha muita experiência como supervisora e fazia belíssimos relatórios. A primeira preocupação da barata foi a de estabelecer um horário para entrada e saída da formiga.

De seguida, a barata precisou de uma secretária para a ajudar a preparar os relatórios e ...
... contratou uma aranha que além do mais, organizava os arquivos e controlava as ligações telefónicas.

O leão ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com índices de produção e análise de tendências, que eram mostrados em reuniões específicas para o efeito.

Foi então que a barata comprou um computador e uma impressora laser e...
... admitiu a mosca para gerir o departamento de informática.

A formiga de produtiva e feliz, passou a lamentar-se com todo aquele universo de papéis e reuniões que lhe consumiam o tempo!

O leão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga operária trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, cuja primeira medida foi comprar uma carpete e uma cadeira ortopédica para o seu gabinete.

A nova gestora, a cigarra, precisou ainda de computador e de uma assistente (que trouxe do seu anterior emprego) para a ajudar na preparação de um plano estratégico de optimização do trabalho e no controlo do orçamento para ...
a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se mostrava mais enfadada.

Foi nessa altura que a cigarra, convenceu o gerente, o leão, da necessidade de fazer um estudo climático do ambiente.
Ao considerar as disponibilidades, o leão deu-se conta de que a Unidade em que a formiga trabalhava já não rendia como antes; e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico e sugerisse soluções.

A coruja permaneceu três meses nos escritórios e fez um extenso relatório, em vários volumes que concluía : "Há muita gente nesta empresa!".

Adivinhem quem o
leão começou por despedir? A formiga, claro, porque "andava muito desmotivada e aborrecida".

Nota: Os personagens desta fábula são fictícios; qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência . . .

quarta-feira, 4 de março de 2009

Estatísticas há para todos os gostos!

Hoje um colega chamou-me a atenção por brincadeira para uma nota de rodapé do jornal gratuito Metro, e que transcreve abaixo. É uma estatística no mínimo curiosa!


Deixo ao critério de cada um as ilações que queira retirar desta estatística, mas há uma que parece ser bastante óbvia: há muita gente por esse mundo do trabalho fora que não tem nada que fazer ou então não quer fazer nada!

E não me venham dizer que são apenas os homens que são uns malandros, já que envolve 2 pessoas e pela sondagem apenas 1% não gostou ao ponto de fazer queixa...
Mas as estatísticas valem o que valem e há para todos os gostos, mas tinha fiquei com curiosidade para ver os resultados da mesma pergunta mas feita aos homens "Quantos já foram flirtados no trabalho?" Alguém aposta em valores?!? Se alguém descobrir, coloque aqui nos comentários!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

É Carnaval, ninguém leva a mal

Todos os dias dos últimos vemos opinion-makers por este mundo fora, pregando a desgraça em que todo o Mundo caiu após a crise sub-prime nos Estados Unidos e outros países mais ricos.

Mas sobretudo, o que já parece ser consenso generalizado é que esta crise vai muito para além de uma crise financeira, e tem por base uma crescente crise de valores, em que nada está a salvo de ser destruído, desde os bens materiais, como dinheiro, propriedades, etc, mas também a confiança, honorabilidade, direito ao bom nome, honestidade, amizade e até porque não o amor e a felicidade.

Esta crise pode conduzir a convoluções sociais de consequências imprevisiveis, que pode por em causa tudo aquilo que muitas gerações já tomam como dados adquiridos no seu bem-estar, no seu modo de viver e conviver com os que os rodeiam, quer nas relações pessoais, quer profissionais.

E isto é particularmente verdade na Subúrbia, onde há maior desenraizamento cultural e em que cada vez mais se cultiva uma noção de amoralidade, ou de uma moralidade individualista (cada um tem a sua e que se lixe a dos outros), tornando tempos difíceis como os que podem vir aí, uma autêntica selva em que a única regra será o "Salve-se quem puder".

Quem, como eu, é pai recente e de primeira viagem, deixa-me um pouco apreensivo sobre o futuro do meu filho, pois este tipo de crise pode ter consequências duradouras, que vão afectar o seu próprio futuro e sem que ele tenha contribuído de forma alguma para ele.

Estamos perante um furacão de grau ainda desconhecido, que não sabemos por onde vai passar nem quando vai terminar... E como todos os furacões, deixa um rasto de destruição inenarravel, não tendo qualquer compaixão por nada ou ninguém.

E são as múltiplas noticias diárias sobre este furacão que nos vão povoando a mente, aumentando o grau de ansiedade, e sobretudo o que assusta é a sensação de impotência de muitos de nós em contribuir para travar este furacão. E este furacão vai lentamente devorando-nos, triturando-nos até sermos cuspidos pelo vortex e cairmos sabe-se lá onde, como e em que estado. Hoje desafogado financeiramente, amanhã desempregado, na miséria, sem casa, etc...
Como na grande maioria dos furacões que acontecem pelo mundo, os meteorologistas conseguem antecipá-los com alguma antecedência, avisar as pessoas e estas refugiarem-se ou tentarem proteger os bens... Mas a força destruidora é por vezes tão grande que mesmo os mais avisados nada conseguem fazer para se salvar. Mais uma vez: impotência!

Já que se fazem tantas sondagens sobre os assuntos mais absurdos, tinha curiosidade em ver como é que esta crise afectou a vontade dos portugueses brincarem no Carnaval. No bolso a crise já mexeu, mas será que também já está a mexer na nossa alegria? Que os suburbanos andam mais tristes no dia a dia, parece-me que já é um facto. Mas e na folia? Será que no Carnaval ainda ninguém leva a mal?

Estas pequenas alterações de comportamentos são sinais que se forem analisados em conjunto por sociologos ou outros especialistas nestas áreas concerteza darão indicações que a sociedade em geral, e mais concretamente as sociedades suburbanas estão a perder a sua caracteristica de grupo e a tornar-se numa soma de muitas individualidades, sem ligações entre elas e com um potencial de conflito cada vez maior.

Onde vai tudo isto parar? Gostava de saber... Mas para já, agora que o Carnaval vai a enterrar, se enterrem também algumas das muitas "desgraças" que temos vindo a saber, e que o Sol comece a iluminar um pouco mais as mentes e corações da Suburbia, para que se inverta um pouco este fado português de contínua desgraceira.

Este Carnaval pela 1ª vez na vida, andei mascarado de trabalhador, por isso estou tão bem disposto. Ah sim, espero que já tenham percebido, que tal como refiro no post anterior, sou um "gajo da informática", com tudo o que de bom e mau tem associado.

Resumindo: tentem sobreviver ao furacão, refugiando-se nos vossos "abrigos" e sobretudo não deixem de tentar ser felizes!

Coisas que todos precisam saber sobre o(a) gajo(a) da Informática

Apesar de ser uma sátira não deixa de ser realidade para muitos dos que trabalham em empregos de informática em particular, ou TI em geral. Pelo menos eu revejo-me em alguns dos tópicos!

1 - O GAJO DA INFORMÁTICA dorme. Pode parecer mentira, mas O GAJO DA INFORMÁTICA precisa de dormir e descansar como qualquer outra pessoa. Esqueça que ele tem telemóvel e telefone em casa; ligue só para o escritório ou para o telemóvel entre as 09h00m e as 13h00 (manhã) ou entre as 15h00 e as 19h00 (tarde) de Segunda-feira a Sexta-feira. O GAJO DA INFORMÁTICA também precisa de descansar aos Sábados, Domingos, feriados e NOS DIAS QUE INDICOU DE FÉRIAS.

2 - O GAJO DA INFORMÁTICA come. Parece inacreditável, mas é verdade. O GAJO DA INFORMÁTICA também precisa de alimentar-se e tem horas para isso, TODOS OS DIAS.

3 - O GAJO DA INFORMÁTICA pode ter família. Esta é a mais incrível de todas. Mesmo sendo um GAJO DA INFORMÁTICA, precisa de descansar no fim de semana para poder dar atenção à família, aos amigos e a si próprio, sem pensar ou falar em informática, impostos, formulários, reparações e demonstrações, manutenção, vírus e etc.

4 - O GAJO DA INFORMÁTICA, como qualquer cidadão, precisa de dinheiro. Por esta você não esperava, ah? É surpreendente, mas O GAJO DA INFORMÁTICA também paga impostos, compra comida, precisa de combustível, roupas e sapatos, e ainda consome xanax para conseguir relaxar. Não peça aquilo pelo que não pode pagar ao GAJO DA INFORMÁTICA.

5 - Ler e estudar também é trabalho. E trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada. Quando um GAJO DA INFORMÁTICA está concentrado num livro ou publicação especializada ele está a aprimorar-se como profissional, logo, a trabalhar.


6 - De uma vez por todas, vale reforçar: O GAJO DA INFORMÁTICA não é vidente, não faz tarôt e nem tem uma bola de cristal para adivinhar o que as outras pessoas pensam ou fazem. Se você julgou que era assim, demita-o e contrate um PARANORMAL, um BRUXO ou um DETECTIVE. Ele precisa de analisar, planear, organizar-se e que lhe expliquem DETALHADAMENTE o que é pretendido para assim ter condições de fazer um bom trabalho, seja de que tamanho for. Prazos são essenciais e não um luxo. Se você quer um milagre, ore bastante, faça jejum, e deixe o pobre do GAJO DA INFORMÁTICA em paz.


7 - Em reuniões de amigos ou festas de família, O GAJO DA INFORMÁTICA deixa de ser O GAJO DA INFORMÁTICA e reassume o seu posto de amigo ou parente, exactamente como era antes dele ingressar nesta profissão. Não lhe peça conselhos ou dicas. Ele também tem o direito de divertir-se.


8 - Não existe apenas uma 'listagemzinha', uma 'rotininha', nem um 'textozinho', um 'programinha muito fácil para controlar isto e aquilo', um 'probleminha, que a máquina não liga', um 'sisteminha', uma 'visitinha rápida (aliás, conta-se de onde saímos e até chegarmos)'. Assim, esqueça os inha e os inho (programinha, textozinho, visitinha) ', pois os GAJOS DA INFORMÁTICA não resolvem este tipo de problemas. Listagens, rotinas e programas são frutos de análises cuidadosas e requerem atenção, dedicação. Planear, organizar, programar com concentração e dedicação, pode parecer inconcebível a uma boa parte da população, mas serve para tornar a vida do GAJO DA INFORMÁTICA mais suportável.


9 - Quanto ao uso do telemóvel: o telemóvel é uma ferramenta de trabalho. Por favor, ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda duvide, O GAJO DA INFORMÁTICA pode estar a fazer algumas das coisas que você nem pensou que ele fazia, como dormir ou namorar, por exemplo.


10 - Pedir a mesma coisa várias vezes não faz O GAJO DA INFORMÁTICA trabalhar mais rápido. Solicite. Depois, aguarde o prazo dado pelo GAJO DA INFORMÁTICA.


11 - Quando o horário de trabalho do período da manhã vai até 13h00m, não significa que você pode ligar às 12:58 horas. Se você só se lembrou do GAJO DA INFORMÁTICA a essa hora, azar o seu, espere e ligue após o horário do almoço (lembra-se do item 2?). O mesmo vale para a parte da tarde: ligue no dia seguinte.


12 - Quando O GAJO DA INFORMÁTICA estiver a apresentar um projecto, por favor, não fique bombardeando-o com milhares de perguntas durante a reunião. Isso tira a concentração, além de dar-lhe cabo da paciência.

ATENÇÃO: Evite perguntas que não tenham relação com o projecto, tipo "Quanto custou o seu portátil?" ou "O que acha que devo comprar para o meu filho jogar em casa, um portátil ou um desktop?"

13 - O GAJO DA INFORMÁTICA não inventa problemas, não faz actualizações automáticas de Windows piratas, não tem relação com vírus, em resumo, NÃO É CULPADO PELO MAU USO DE EQUIPAMENTOS, INTERNET E AFINS. Não reclame! O GAJO DA INFORMÁTICA com certeza fez o possível e dentro da legislação em vigor para você pagar menos. Se quer fazer upgrades de borla, instalar programinhas giros, etc., faça-o, mas antes demita O GAJO DA INFORMÁTICA e contrate um PICHELEIRO.


14 - Os GAJOS DA INFORMÁTICA não são os criadores dos ditados "o barato sai caro" e "quem paga mal paga a dobrar". Mas eles concordam.


15 - Informática é referente à computadores (HARDWARE OU SOFTWARE e muito raramente, os dois ao mesmo tempo), e não TV's, telemóveis e electrodomésticos, etc. Portanto, O GAJO DA INFORMÁTICA não vai ensinar-lhe a mexer no telemóvel, reparar a sua TV, etc.


16 - Existem vários tipos de GAJOS DA INFORMÁTICA e cada um tem a sua especialização. Se você parte uma perna não vai ao oculista, pois não? Assim, se o GAJO DA INFORMÁTICA é especialista em software e programação poderá não estar muito à vontade sobre HARDWARE ou REDES e vice-versa para realizar um trabalho de qualidade, portanto não lhe peça para executar trabalhos nos quais não é especialista dizendo "você consegue fazer, para que chamar outra pessoa se você é mesmo bom nisto da informática"


Não sei quem foi o autor, pois foi mais um daqueles chain mails que tanto recebemos dos amigos como de desconhecidos, mas dá que pensar... Hoje em dia há um pouco a conotação que o tipo da informática é omnipresente, omnisciente e omnipotente... Só que não é Deus!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano de 2009

A todos os que tem me dado o prazer de ler e comentar algumas das minhas prosas, desejo um Feliz Ano de 2009, cheio de sucesso, pouco afectado pela ínfame crise e com muita saúde, paz e amor!

Espero que possa também ser um ano mais profícuo em posts e comentários neste blog, mas agora com o novo rebento na família, quase todo o tempo é para esse pequeno ser que consome tudo e todos a sua volta. Mas é uma alegria!!

Espero que continuem a ler-me e cada vez a participarem mais neste pequeno canto da Suburbia!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Nasceu o Enzo Filipe!

A Suburbia também tem os seus momentos alegres e no meu caso, chegou agora a hora de ter uma alegria no meio de tanta conturbação e problemas.

O nosso filhote nasceu hoje, dia 14/Out/2008 ás 13:17, saudável, com 4,275 Kg e 52cm e esta carita de malandro!!


Obrigado aos que votaram para a escolha do nome, mas no final prevaleceu a escolha conjunta dos pais que tinham opiniões tão divergentes: Enzo Filipe. Estranha-se ao princípio, mas prevaleceu o consenso matrimonial!

Começa para nós uma nova etapa na Suburbia, de descoberta do que é sermos pais, com todas as alegrias e preocupações que isso acarreta. Mas sobretudo espero que possamos contribuir para que ele, se se mantiver na Suburbia, mantenha valores éticos e morais que orgulhem a sua ascendência luso-brasileira, e que consigamos que ele seja sobretudo feliz, pois essa felicidade será nossa por contágio!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Toca a votar!!

O bebé tá quase a nascer por isso, continuem a votar para ver quem vai ganhar!!
A sondagem fica aberta até as 00h00 de dia 14/Out, só porque ele ainda não quis nascer ....

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A noite é dos Helicopteros

Para quem achava que a Polícia andava de férias e que o crime proliferava loucamente pelo País, tornando-o quase num Quénia Europeu, o nosso idolatrado Presidente da República veio insurgir-se contra este sentimento de insegurança.

Com uma precisão quase messiânica, conseguiu "adivinhar" que para esse dia estavam já previstas 2 operações de cerco a dois cancros da Suburbia: Quinta do Mocho e Quinta da Fonte. Nessa mesmo noite depois do insurgimento de S.Exa. Presidente, dezenas de carros, homens, cães, GOEs, etc, cercaram os 2 bairros numa "operação para busca de armas ilegais".

A parafernália de meios é a habitual nestes cercos, mas desta vez com uma novidade high-tech, como o nosso Primeiro tanto gosta: havia um helicóptero da Polícia com um foco de luz a esquadrinhar os telhados de ambos os bairros... E durou horas num vai e vem entre bairros, que até dava para as equipas de reporteres da SIC encherem chouriços à custa disso: "Agora, já estou a ouvir novamente o helicoptero a sobrevoar o bairro..." para daí a uns minutos, o outro reportér lá se vangloriar que agora era no bairro dele que o helicoptero andava.

Mandavam parar toda a gente, revistavam as pessoas e os carros, um festival... Mas no outro dia, quais foram os resultados? Um ou outro que se "esqueceu" de tirar a pistola do carro, outros que não tinham seguro ou carta de condução, e com certeza, muita gente destes 2 bairros que foi fazer umas férias forçadas por outras paragens, para evitar "encontros imediatos" com a Polícia.
Ou seja, fundamentalmente foi show-off, que se tem mantido nos últimos dias com operações stop ao quilo por todo o lado, para que os telejornais e a imprensa escrita tenham muito com que se entreter em vez de andarem a passar a mensagem que isto está uma bandalheira!! Não, não está, mas quando é preciso "demonstrações de força" destas para fingir que ainda temos alguma segurança, realmente algo vai mal nesta Suburbia, e posso até dizer, algo vai podre na República Portuguesa.

Não conheço o tempo da Ditadura, logo não posso sequer comparar, mas as liberdades e libertinagens que hoje se permite a todos, vão ter consequências muito graves no futuro do País, com as gerações futuras a não terem qualquer referência moral ou de valores, e em que o crime, a corrupção, o compadrio, a mesquinhez é que são idolatradas como sendo os valores da sociedade moderna.

Um desses valores é o respeito pelos outros e pela autoridade, que cada dia é mais espezinhada, denegrida e desvalorizada. Daqui até a própria autoridade se tornar autofágica, com os policias a fazerem de ladrões, já pouco falta, pois o exemplo está bem na frente deles. Eles prendem, e os criminosos riem-se na cara deles e vão embora, porque devido a uma lei cobarde não os podem prender.

É este País de impunidade que vamos continuar a ter? Em que apenas a lei do mais forte impera? Esta semana foi um helicóptero... nas noites seguintes mais serão, mas absolutamente inúteis para controlar o crescimento de violência gratuita na sociedade onde cada vez mais se caminha para a necessidade de 1 policia para cada pessoa.

A culpa é de quem? Como já é hábito, morrerá solteira e mal amada. Triste sorte a da Suburbia

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Perguntas interessantes!

Aqui estão um conjunto de perguntas simples, mas que convido a tentarem descobrir a resposta e colocá-la aqui no blog (usem os comentários, por favor).

1. Como se escreve zero em algarismos Romanos?
2. Porquê os Flintstones comemorarem o Natal se eles viviam numa época antes de Cristo?
3. Porquê os filmes de batalhas espaciais têm explosões tão barulhentas se o som não se propaga no vácuo?
4. Se depois do banho estamos limpos porquê lavamos a toalha?
5. Se Deus está em todo lugar, porquê as pessoas olham para cima para falar com ele?
6. Se os homens são todos iguais, porquê as mulheres escolhem tanto?
7. Porquê a palavra "Grande" é menor do que a palavra "Pequeno"?
8. Porquê "Separado" se escreve tudo junto e "Tudo junto" se escreve separado?
9. Se o vinho é liquido, como pode existir vinho "Seco"?
10. Porquê as luas dos outros planetas têm nomes mas a nossa se chama só lua?
11. Porquê as pessoas apertam o comando da televisão com mais força quando a pilha está fraca?
12. O instituto que emite os certificados de qualidade ISO 9002 tem qualidade certificada por quem?
13. Quando inventaram o relógio como sabiam que horas eram para poder acertá-lo?
14. Se a ciência consegue desvendar até os mistérios do DNA, porquê ninguém descobriu ainda a fórmula da Coca-Cola?
15. Como foi que a placa "É Proibido Pisar a Relva" foi lá colocada, sem pisar a relva?
16. Porquê quando alguém nos pede que ajudemos a procurar um objecto perdido temos a mania de perguntar: "Onde o perdeste?"?
17. Porquê há pessoas que acordam os outros para perguntar se estavam a dormir?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O nome influencia o futuro de uma pessoa?

Como futuro pai, estou agora a passar por esta fase de escolha de um nome para colocar para sempre num ser humano que vai nascer.
A escolha será sempre um pouco egoísta, mesmo que seja reflectida e discutida até à exaustão. Mas será que realmente influencia para sempre a vida dessa pessoa? Há nomes mais fortes que outros, mais bonitos que outros, mais impronunciáveis que outros. Há nomes verdadeiramente torturantes, em que parece que os pais querem é castigar a criança por nascer.

Mas se retirarmos os extremos, como é que esta escolha pode afectar a vida futura de um ser que nada sabe sobre o seu futuro, a não ser que seu o presente é instantâneo, e o seu passado cresce a cada dia que passa?

Como já devem ter percebido, a escolha não está a ser pacífica, quer por questões linguísticas / culturais, quer por preferências bem diferentes. Não querem dar uma ajudinha? A sondagem tá aí no topo do blog!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

E pronto, lá volta a ser notícia...

Morreu mais um desgraçado na bem frequentada Quinta do Mocho, bairro de lata ou ghetto pós moderno que fica na saída norte de Sacavém. Além desse desgraçado, houve mais 4 feridos com menor gravidade, tudo boa gente que estava apenas numa festa de confraternização.

Fala-se de rixa entre membros de gangs, drive-by com tiros e tudo, de fazer inveja a qualquer bom ghetto nigga norte-americano.

Se não fosse Agosto, também conhecido por silly season, e não estivessem ainda tão próximos os incidentes como o tiroteio da Quinta da Fonte e o próprio assalto ao BES com reféns, acho que se ficava por mais uma nota de rodapé nos jornais mais "sangrentos", tipo Correio da Manhã, 24 Horas, etc.

O quotidiano de pequena e grande violência já começa a ser tão normal por esta zona da Subúrbia, que pessoalmente já estranho ver notícias sobre o assunto, tal o abandono em que todos estamos. A Polícia pode até aparecer agora mais musculada por uns tempos, mas apenas mitiga o problema. Não tenho nenhuma cura milagrosa para este mal, a não ser a via xenófoba do "corram com esses gajos todos daqui à pedrada" ou "era metê-los todos num barco e no meio do oceano afundá-lo". Claro que além de politicamente incorrecto, na prática não serviria para absolutamente nada e quem disser o contrário ainda é mais criminoso do que os que por aqui andam aos tiros.

No entanto, esta situação deriva de uma total ausência de politicas de integração, mas também de correcta repressão e criminalização deste tipo de comportamentos. Um destes dias, um estimado "vizinho" dizia numa reportagem: "Só se anda nos gangs até aos 25 anos; depois dessa idade, morres, vais preso ou casas-te e começas a trabalhar para ganhar a vida".
Ou seja, como comunidade, na globalidade, há muita gente honesta, que trabalha para ganhar a vida ou tem o seu negócio e que se vê enxovalhada por bandos de jovens que nada tem ou querem fazer.

Se juntarmos a isto as politicas de integração social pela via do subsídio, em que não se estimula a ajuda para encontrar trabalho, mas sim nada fazer desobrigando os próprios receptores do dinheiro a esforçarem-se por o merecerem, tudo vai continuar exactamente na mesma ou até piorar.

Neste momento, o País, até pelas dificuldades financeiras que está a passar, pelo nível de desemprego, precisa de estimular o trabalho e castigar a ociosidade. Há que demonstrar autoridade moral e institucional estimulando a geração de uma cultura de trabalho a todos os níveis, desde o jovem delinquente que é apanhado a roubar, ao calão que vive à custa dos 10 filhos e respectivo subsídio de reinserção (reinserção em quê?), até ao desempregado que só quer é receber o fundo de desemprego, mas pouco faz para tentar ser produtivo.

Talvez por ser um pouco idealista, penso que é mais útil para a sociedade a médio prazo, pôr os delinquentes a trabalhar (trabalho comunitário ou em prol do bem estar de todos, ajudar a recuperar aquilo que destruíram, mas de forma compulsiva) do que enfiá-los numa cela ou, pior ainda, arranjar desculpas legais para não os castigarem por desrespeitar os outros (ou não é verdade que a minha liberdade termina onde começa a do meu parceiro??).

Mas atenção, há algo que a sociedade, sobretudo nas metrópoles, está a esquecer: nós podemos até incorporar hábitos, tradições, estilos de vida de outros países, mas quem vem para um país (e isto é válido em Portugal, como no Burundi ou no Nepal), deve em primeiro lugar respeitar as leis, costumes, tradições e as regras sociais desse país e devem ser premiados aqueles que, apesar de diferenças culturais ou sociais, sabem que há adaptações a fazer nas suas vidas e convivem com isso com a naturalidade de um ser inteligente e adaptável como é o ser humano.

Um dia talvez este ciclo da Suburbia violenta se quebre, seja por que me fui embora, ou algo realmente mudou. Neste momento da vida, e com uma responsabilidade acrescida de vir a educar mais uma criança, este ambiente seria interessante pela multiculturalidade, mas a violência conspurca tudo e serei provavelmente obrigado a desistir de lutar pelo lugar onde sempre vivi, mas que agora não tem condições para ver crescer o meu filho. Tenho pena, pela cidade, pelas pessoas, pelas gerações que vem aí, mas esta Suburbia é cada vez mais um gigantesco bairro de lata onde não há respeito por nada nem ninguém.

Um dia estas mortes deixarão de ser noticia. Espero que esse dia ainda venha muito longe, mas se ninguém tiver um pulso forte, esse dia está já aí ao virar da esquina.

domingo, 10 de agosto de 2008

Anedota ? Triste Realidade...

ANEDOTA em que se transformou o nosso País:

- Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode pôr um piercing.

- Um jovem de 18 anos recebe 200 Euros do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 Euros depois de toda uma vida do trabalho.

- Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.

- O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.

- Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.

- Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa á das causas sociais.

- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados. No Fórum Montijo a WC da Pizza Hut fica a 100mts e não tem local para lavar mãos.

- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).

- Nas prisões é distribuído gratuitamente seringas por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!

- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar chumbas o ano, o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por fax e é engenheiro.

- Um jovem de 14 mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!

- Uma família a quem a casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme podem. 6 presos que mataram e violaram idosos vivem numa sela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.

- Militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa de território nacional não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE.

- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem, não pagas as finanças a tempo e horas passado um dia já
estas a pagar juros.

- Fechas a janela da tua varanda e estas a fazer uma obra ilegal, constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!

- Numa farmácia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosse drogado, não pagava nada!

Obrigado Portugal. Estamos orgulhosos.

E agora?! Sim eu sei, vais voltar a olhar para o teu umbigo e dizer que tudo está bem, ou se disseres que está mal.. que pensas fazer em relação a isto?!
Deixar que os outros resolvam por ti?! Então mereces tudo isto em dobro.

Mexe-te, grita, mostra a tua indignação e luta, ou em breve poderás ser tu e os teus dentro destas estatísticas e o teu vizinho fará como tu. Olhará para o lado.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Como os tempos mudam...

Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer uma fisga.
Ano 1978: O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.
Ano 2008: A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.
Ano 1978: Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.
Ano 2008: A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar a Moura-Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas.
Ano 1978: Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.
Ano 2008: Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno incapacitado.

Situação: O Luis parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este.
Ano 1978: O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.
Ano 2008: Prendem o pai do Luís por maus tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.

Situação: O Zézinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A sua professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Maria abraça-o para o consolar.
Ano 1978: Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.
Ano 2008: A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego. Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zézinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia de dívidas suicida-se atirando-se de um prédio.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado 'chocolate' ao outro.
Ano 1978: Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa. Amanhã são colegas.
Ano 2008: A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a
averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.


Situação: Disciplina escolar
Ano 1978: Fazias uma asneira na sala de aula. O professor espetava duas lostras bem merecidas. Ao chegar a casa o teu pai dava-te mais duas porque 'alguma deves ter feito'
Ano 2008: Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa. O teu pai pede-te desculpa e compra-te uma Playstation 3.

Situação: Chega o Outono
Ano 1978: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno. Não se passa nada.
Ano 2008: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.
Se pensarem bem, quem já passou dos 30, como eu, vê que este texto apesar de satírico, não anda assim tão longe da realidade. Ao tanto querermos proteger os nossos filhos, estamos a formar gerações de gente amorfa, laxista, sem valores nem princípios, de pequenos reizinhos que não sabem o que são limites.
Ou será que já de nada vale a máxima "A minha liberdade termina onde começa a do vizinho"?

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Já falou com o seu vizinho nos últimos dias?

A pergunta parece um pouco provocatória, parva até para quem sai de casa a correr atrasado para o emprego, para levar os miúdos para a escola, ou para um qualquer compromisso que se tinha esquecido.
Também pode parecer idiota para quem todos os dias perde horas nas filas de trânsito, nos transportes ou até mesmo no trabalho, porque há aquela tarefa urgente que há três meses atrás alguém se esqueceu de lhe delegar.
A vida na Suburbia tem estas idiossincrasias onde cada dia menos atenção se presta aos que nos rodeiam, a começar pelos próprios vizinhos, que em particular em grandes condomínios, são estranhos com que nos cruzamos no elevador, nas escadas ou o na reunião de condomínio uma vez por ano.
Pois atentem na noticia bizarra que surgiu na edição online do Jornal Sol de 16/Maio/2008, e que transcrevo.

Mulher morreu há 35 anos e ninguém deu pela sua falta

Os governos mudaram. Uma guerra começou e chegou ao fim. Os vizinhos tiveram filhos e depois netos. Mas Hedviga Golik nunca deixou o seu pequeno apartamento em Zagreb, Croácia, até que o seu corpo já mumificado foi descoberto 35 anos após a sua morte.

A polícia afirmou que ninguém a tinha dado como desaparecida e que o corpo continua por reclamar.

Os moradores do prédio de Hedviga, na baixa da capital croata, decidiram entrar em sua casa por considerarem que o apartamento lhes devia pertencer a eles e não a Hedviga. Quando entraram viram o corpo deitado na cama. Assustados chamaram a polícia.

Os peritos calculam que a mulher deve ter morrido em 1973, altura que coincide com a última vez que foi vista por uma das vizinhas. Davor Strinovic, um dos criminalistas, afirmou que a causa da morte parece ter sido natural, mas «é quase impossível afirmá-lo com certeza» após tanto tempo.

Alguns dos vizinhos disseram que Hedviga tinha falado em ir para o estrangeiro, o que parece explicar a razão pela qual ninguém deu pela sua falta.

Segundo os criminalistas, o mau cheiro, característico dos cadáveres, foi dissipado pelas janelas que permaneceram abertas durante este tempo. Não se sabe ainda ao certo se alguém ou quem pagava as contas de Hedviga e a quem pertencia, realmente, a casa. Em 1973, os apartamentos pertenciam ao Estado.

Os vizinhos querem agora que o apartamento seja partilhado pelos restantes inquilinos.

A descoberta do cadáver de 35 anos trouxe o debate para os media: «Como é possível que uma mulher tenha morrido há tanto tempo sem que ninguém tivesse dado pela sua falta?». Uma jornalista local afirmou que era a prova da crescente alienação das pessoas.

«Meus queridos vizinhos! Por favor continuem a ser curiosos e às vezes incómodos, como têm sido até agora»,escreveu a jornalista Merita Arslani no jornal Jutarnji.

Em Portugal, ainda temos muito o culto da bisbilhotice da vida alheia, por isso, ainda é pouco provável que episódios destes aconteçam, mas isto demonstra o grau de alienação da vida em sociedade para que caminhamos, se algo não for feito por cada um de nós para o evitar.
Não é preciso bisbilhotar, querer saber tudo sobre os vizinhos, os que nos rodeiam, mas tentemos conhecer um pouco melhor as pessoas que convivem connosco e que partilham um pouco das nossas vidas. Quem sabe isso não ajuda a tornar a convivência um pouco menos penosa e consigamos ultrapassar aqueles conflitos que habitualmente surgem entre vizinhos.
Com o envelhecimento da população portuguesa e por arrasto, da Suburbia, há cada vez mais pessoas sós, abandonadas, cuja ligação com a realidade passa apenas por uma conversa de ocasião com um vizinho, pois até a família se esqueceu dela.

Não há nada mais triste e até desumano do que um ser humano abandonado, só e esquecido no meio de uma multidão. Não se esqueça disso, pois um dia pode ser você na mesma situação!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico

O Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico é mais um manifesto contra o novo acordo ortográfico, desta vez tem como primeiros signatários algumas personalidades com algum peso e provas dadas no estudo e evolução da Língua Portuguesa, que lhe confere alguma seriedade intelectual, concordando-se ou não com o seu conteúdo.

Tal como no post anterior sobre este assunto, este serve apenas como divulgação também deste manifesto, apresentado de uma forma mais sustentada e séria que o anterior. Concordo com a maioria do seu conteúdo, pelo que também sou signatário.

No entanto, continuo a afirmar que há falta de informação sobre este acordo e que não sou contra um acordo ortográfico. Com os dados que tenho considero que este acordo não será o que melhor serve os interesses dos diversos povos falantes de Português.

Petição Contra o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Petição Contra o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Não sou a favor nem contra, porque sinceramente ainda não consegui que alguém desapaixonadamente me explicasse quais vão ser as alterações com impacto no meu dia-a-dia e no dos meus descendentes. Até porque actualmente, já vivo embrulhado num acordo ortográfico luso-brasileiro por razões matrimoniais!!

Mas aqui fica para quem é obtusamente contra e acha que vamos perder a Soberania Nacional por assinarmos este acordo.

domingo, 4 de maio de 2008

Milionário em grande estilo

Este concorrente do "Quem Quer Ser Milionário" da versão americana dá um belo exemplo de auto-confiança, na hora da última pergunta, que vale 1.000.000 USD.

Duvido sinceramente que houvessem muitos com o sentido de humor, numa hora de tanta pressão, para fazer o que ele fez, mas está lindo!!! A minha fonte foi aqui mas há várias versões no YouTube para todos os gostos!


sábado, 3 de maio de 2008

Não sejas chato no Messenger

Aqui está um manual simples de seguir para quem não quer ser chato e inconveniente na ferramenta de comunicação em maior crescimento depois do telemovel, o Instant Messaging.

O post original não está ainda de acordo com Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 2008, e foi escrito a pensar nos jovens brasileiros moderninhos, viciados no Messenger.

Mas serve com bom exemplo para o que NÃO deve fazer no MSN! Divirta-se!!


Quantas pessoas bloqueadas você tem no seu messenger? Quantas delas você bloqueou por serem mega chatas e inconvenientes? Será que muita gente te bloqueou?

Calma, não precisa enlouquecer pensando nessas perguntas sem resposta, nem entrar naqueles sites malucos que trocam teu nick. A gente vai te ajudar a ser a pessoa mais bacana da lista dos seus amigos, todo mundo vai querer te adicionar e bater um papinho. Basta NÃO fazer algumas coisinhas.

Chamar atenção

Tem coisa mais chata do que sua tela tremendo sem parar? Daí você abre a janela do infeliz que chamou sua atenção e ele não diz nada de importante, só queria saber se você ainda estava lá. Aaaaaaah, que vontade de bater na pessoa, né? Chamar atenção só em momentos de extrema necessidade, tipo quando seu time fez um gol no time da pessoa, ai vale!

Entrar várias vezes

De repente você olha pro computador e tem a mesma janela milhares de vezes. O mané não tem o que fazer e ficou entrando e saindo sem parar, só pra todo mundo notar que ele chegou. Isso é tipo chegar numa festa e gritar “olha pra miiiim”. Não dá, né?

Emoticon

Pra começar, emoticon é coisa de menina. E outra, você não quer fazer uma frase cheia de carinhas e coisinhas frescas, quer? Nomear os emoticons com aspas, números e símbolos é a melhor coisa a fazer. E não é qualquer imagem que merece ser salva, se for aquela mina gostosa, beleza, mas um baratinho amarelo com cara de bobo...não dá pra perder tempo!

Papo de elevador

- Oi.
- Oi.
- Tudo bem?
- Tudo e você?
- Também.

E ai rola aquela palha tipo de filme de faroeste, saca?
Se não tem assunto, nem se dá o trabalho de abrir a janela da pessoa. Chatão, né?

Convite pra webcam

Você quer, porque quer ligar a câmera pra mina que você ta pegando. Daí fica mandando um monte de convites, que ela não aceita. Ao invés de pensar “pode ser melhor parar”, o que você faz? Manda mais convites. A hora que ela te mandar um convite pro inferno, não reclama. E se a mãe dela estivesse ao lado? Quer a sogrona te vendo também, é?

Falar besteira

A pessoa chega no messenger e já manda a mensagem:

- Noooooossa, você tava beeeem louco ontem, hein!

A mensagem chega no seu computador bem no momento que sua namorada, que achou que você estivesse doente, ta dando uma olhadinha nos e-mails. Resultado: fim da amizade. E do namoro. Antes de mandar mensagens desse tipo, ou sobre coisas que não devem ser comentadas, pergunta de a barra tá limpa, né?

Se você seguir todas as nossas dicas e ainda assim for bloqueado por todo mundo, sem querer te desanimar, mas o problema dessa vez, é você. Mas dá pra consertar, tenha esperança! ;)

in "O que Rola - iG Jovem"

quinta-feira, 1 de maio de 2008

E agora, um bocadinho de publicidade

Para quem tem andado aqui pelo "Vista do Subúrbio", reparou que aqui o canto anda cheio de widgets e links para uma série de serviços de publicitação/catalogação do blog.
Uma vez que os comentários tem sido tão pouco frequentes, apesar já ter ultrapassado os 1500 pageviews (uauuuuuuuuu, melhor que isto só a CNN!!), decidi fazer propaganda da "banha da cobra" que vou vendendo neste pequeno jornal com a minha visão sobre a vida nos subúrbios de Lisboa.

Assim, o "Vista do Subúrbio" já está cadastrado nos seguintes sites de pesquisa/catalogo de blogues:

Technorati
SAPO Links e página pessoal no Sapo Links
BlogBlogs: O maior site de indexação, ranking e busca de blogs do Brasil
Blog.com.pt - Comunidade de bloggers portugueses
BlogCatalog - Blog Directory, Blogs, Blog Sites
My del.icio.us

Além disso, para quem ainda não conhecia, houve uma primeira tentativa de me perder no universo do blogging, a que comecei por chamar "Olhar para o Subúrbio", ainda alojado na plataforma do SAPO e que agora foi ressuscitado com a migração para a nova plataforma do SAPO.
Curiosamente (ou talvez não), parece que as minhas prosas mais antigas estão a ter mais visitas do que as prosas do Vista... Será que isto tem alguma conotação retorcida com a polémica sobre qual dos 2 sistemas operativos da Microsoft é o melhor (XP ou Vista)?

Tudo isto está a ser feito para que mais e mais arrisquem a ler, comentar, criticar as minhas prosas ou glosas (por que nem tudo é obviamente original) e deixem também as vossas impressões sobre o que é viver na Suburbia.

Perdoem-me o intervalo para publicidade. Os assuntos sérios seguem dentro de momentos! Obrigado!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Elogio do Amor (Miguel Esteves Cardoso)

Eu sei que este texto não cola muito bem com o contexto do resto do blogue, mas é interessante, pois demonstra como a sociedade mais urbana, mais calculista, começa a perder determinados valores que antes eram os pilares de uma vida. Pessoalmente, apesar de considerar o Miguel Esteves Cardoso uma mente louca, tem rasgos de genialidade e sobretudo retrata bem o ser e estar no Portugal Urbano dos dias de hoje, ou seja, a Suburbia.

Este texto saiu no Expresso em 2005, não consegui precisar a data nem obter a fonte original, mas podem encontra-lo aqui, aqui, ou aqui, por exemplo.

Quero fazer O elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de
verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar
sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão Ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é
mais barato, por causa DA Casa. Por causa DA cama. Por causa das cuecas e
das calças e das contas DA lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de
antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em 'diálogo'. O amor
passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa
variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser
desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O
resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam
'praticamente' apaixonadas.

Eu quero fazer O elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do
amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas,
farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi
namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como OS de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia,
são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, Malta do 'tá tudo bem,
tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides,
borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já
ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, O
desequilíbrio, O medo, O custo, O amor, a doença que é como um cancro a
comer-nos O coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não
é para ser O alívio, O repouso, O intervalo, a pancadinha nas costas, a
pausa que refresca, O pronto-socorro DA tortuosa estrada DA vida, O nosso
'dá lá um jeitinho sentimental'. Odeio esta mania contemporânea por sopas e
descanso. Odeio OS novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se
vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a
loja. Foi trespassada ao pessoal DA pantufa e DA serenidade. Amor é amor. É
essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é
para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.
Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para
nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de
inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes Mata O amor. A
'vidinha' é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um
fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem
tanto a ver Com a vida de cada um como O clima. O amor não se percebe. Não
dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa
alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe,
não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que
a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e
minta e sonhe O que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade
pode matar, O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num
momento, num olhar, O coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por
muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração
guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida,
quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso
amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se
ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver
sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode
ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso, in Expresso