Com as férias aí, estamos todos a pensar na praia, no descanso, na boa vida. Mas insistem em matraquear-nos com más noticias, como se repentinamente estivéssemos a entrar num período de puro caos.
O pessimismo crónico dos portugueses é reconhecido mundialmente, mas ultimamente temo-nos esmerado para nos tornarmos campeões mundiais do pessimismo. Para tal continua a surgir em catadupa noticias de corrupção, desaires vários, problemas económico-financeiros, desgraças várias e uma sede cada vez mais voraz por más noticias que simultaneamente alimentam o nosso pessimismo, mas também tornam os portugueses cada dia mais conformados com a sua (má) sorte.Como se fosse uma inevitabilidade que este País, esta sociedade não tem cura, está podre e nem daqui a 10 gerações vai mudar.
Pessoalmente considero que uma das razões de fundo da situação actual tem a ver com a qualidade da educação nos últimos 30 anos (e não estou a referir-me apenas ao ensino escolar, mas tudo o que tem a ver com a preparação dos jovens para a vida futura). Agora é essa geração (a chamada geração rasca) que está à frente ou que vai gradualmente tomando conta dos destinos do nosso País, quer ao nível politico, empresarial, social, etc.
O que se tem vindo a ver é uma degradação gradual de todos os valores que tornam a sociedade cada dia mais amorfa, suja, porca, corrupta, indiferente.E agora para juntar a tudo isto, uma sociedade que finalmente se apercebe que tem vivido nestes últimos 20 anos muito acima das suas posses, e que agora está prestes a levar um tratamento de choque.
Não sei até onde esta onda de pessimismo vai chegar, e como pode ser contrariada, mas suspeito que pode vir a trazer muitas mudanças de comportamentos, e sobretudo seria óptimo que servisse para tornar-nos melhores como sociedade, para apostarmos na qualidade, na melhoria do desempenho, na solidariedade, em valores humanísticos que cada dia estão mais ausentes de todo o nosso dia-a-dia.
Como País actualmente merecemos o buraco em que estamos metidos e continuamos diariamente a cavar, e o pior é que continuamos a criar descendência no mesmo clima laxista e vazio que tem sido norma nos últimos anos. Eu gostava de saber como contrariar, como fazer parte de uma vaga de fundo para melhorar a sociedade em que me integro, mas confesso que tal como a grande maioria, não vejo nenhuma saída a não ser algo brutalmente disruptivo.
Que o Verão traga algum animo e não apenas calor infernal e milhares na praia! Boa sorte, Portugal e que o Caos nos traga no final algo de bom!
Este é um espaço sem complexos para reflectir sobre as misérias e alegrias de quem vive no subúrbio de grandes cidades, como é Lisboa - Portugal.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Bater em Criança
Um post interessante no blog da psicóloga Cláudia Morais, sobre um tema que até há poucos anos era encarado como "educação musculada" e agora é considerada violência parental.
Não sou apologista da violência gratuita seja contra uma criança ou qualquer outro ser humano. No entanto, todos devem desde pequenos saber que há limites, valores, comportamentos que são mais adequados que outros para uma vivência em sociedade. E no caso das crianças quem melhor que os seus próprios pais para mostrar de forma saudavel mas firme quais são os valores com que nos regemos? Se quando a criança se tornar adolescente ou adulto, conscientemente decidir não seguir as orientações dadas pelos pais e educadores, já terá uma bagagem de vida que lhe permitirá escolher em consciência.
Se não houver essa educação no sentido mais lato quando são crianças, correm o risco de não ficar preparados para viver em sociedade e terem comportamentos disfuncionais e acabarem por mais tarde se virarem contra os seus educadores, culpando-os da falta de bases para viver.
Eu sei que é mais fácil falar do que fazer, mas uma das máximas de viver em sociedade é
Muito se tem dito e escrito sobre o impacto dos castigos físicos impostos às crianças. Como a fronteira entre uma palmada no rabo e a agressão física nem sempre parece clara, e porque demasiadas crianças são vítimas de abusos por parte dos próprios pais por esse mundo fora, o tema tem dado pano para mangas.
Bater continua a ser um dos castigos aplicados pelos pais para impor a disciplina. Um estudo recente permitiu um novo olhar sobre a relação entre estes castigos e a violência física. Estatisticamente é possível verificar que as mães que recorrem à palmada para castigar os filhos têm três vezes mais probabilidade de usar formas de punição mais severas. Estes abusos incluem espancamento, queimaduras, pontapés, bater com um objecto numa área do corpo que não sejam as nádegas ou sacudir uma criança com menos de dois anos de idade.
Quanto maior é a frequência dos castigos físicos, maior é a probabilidade de existirem abusos físicos; bater nas nádegas com um cinto, uma colher de pau ou outro objecto qualquer aumenta nove vezes esta probabilidade, em comparação com os casos de mães que não costumam bater nos filhos com um objecto.
Estas associações podem estar relacionadas com a ineficácia dos castigos quando os pais não encontram outros recursos para impor a disciplina – como o reforço positivo ou a colocação da criança a um canto durante um tempo, sem fazer nada.
Assim, importa recordar algumas regras sobre disciplina:
- Os pais devem manter-se calmos aquando das birras/ episódios de mau comportamento e evitar gritar, para que a criança aprenda que o descontrolo emocional não deve prevalecer. Se as coisas piorarem, mais vale “fazer uma pausa” e voltar a falar com a criança com mais calma.
- Deve evitar-se a crítica excessiva. É importante que a criança perceba que o que faz com que os pais fiquem descontentes é um determinado comportamento, sem que isso coloque em causa o amor que sentem.
- Os pais não devem centrar-se apenas nos aspectos negativos. É importante reforçar positivamente os bons comportamentos. É melhor dizer “Fico contente quando arrumas os teus brinquedos” do que “Eu gostava que, pelo menos uma vez na vida, fosses capaz de arrumar os teus brinquedos”.
- Deve evitar-se os castigos físicos. A Associação Americana de Psicologia tem divulgado estudos que demonstram que esta forma de punição não é mais eficaz do que outros castigos e pode contribuir para que a criança se torne mais agressiva.
- Os pais devem recompensar e elogiar os bons comportamentos.
- Os pais devem perceber a diferença entre uma recompensa e um “suborno”. Uma recompensa é dada quando a criança atinge um objectivo, enquanto um suborno é oferecido antes dessa concretização, para tentar motivar a criança a fazer aquilo que os adultos querem.
- É importante que os pais sejam bons modelos de aprendizagem. Dificilmente se conseguirá que uma criança não seja agressiva se os progenitores adoptarem sistematicamente esta forma de comunicação.
Não sou apologista da violência gratuita seja contra uma criança ou qualquer outro ser humano. No entanto, todos devem desde pequenos saber que há limites, valores, comportamentos que são mais adequados que outros para uma vivência em sociedade. E no caso das crianças quem melhor que os seus próprios pais para mostrar de forma saudavel mas firme quais são os valores com que nos regemos? Se quando a criança se tornar adolescente ou adulto, conscientemente decidir não seguir as orientações dadas pelos pais e educadores, já terá uma bagagem de vida que lhe permitirá escolher em consciência.
Se não houver essa educação no sentido mais lato quando são crianças, correm o risco de não ficar preparados para viver em sociedade e terem comportamentos disfuncionais e acabarem por mais tarde se virarem contra os seus educadores, culpando-os da falta de bases para viver.
Eu sei que é mais fácil falar do que fazer, mas uma das máximas de viver em sociedade é
"A minha liberdade termina onde começa a dos outros"
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